quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A FÉ COMO SITUAÇÃO EXISTENCIAL DO HOMEM DIANTE DE DEUS

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Essa reflexão é baseada nos escritos de Paulo, em sua definição sobre a fé. Paulo vai definir com os termos "crer" e "conhecer", que é a atitude na esfera da salvação como resposta do homem a Deus.

Crer é o modo de ser do homem diante de Deus; do homem que, aderindo totalmente, se deixa levar até a experiência pessoal de Deus. A raiz hebraica de "fé" é derivada de "aman", ater-se a, dizer amém a Deus.

Paulo prega uma salvação, que o homem pode receber somente crendo:
"Eu não me envergonho da boa notícia, que é uma força divina de salvação para todo aquele que crê -  primeiro o judeu, depois o grego. - Nela se manifesta essa justiça de Deus, que liberta exclusivamente pela fé. Segundo aquele texto: quem é justo por crer salvará a vida" (Rm 1,16-17).

Servi de modelo a fé de Abraão, que se distinguiu por uma confiança absoluta na onipotência e na fidelidade de Deus às promessas (cf. Rm 4,18-25).

A renúncia à segurança humana também faz parte do conceito paulino de fé: 
"Sentimos dentro de nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus que ressuscita os mortos" (2Cor 1,9).

A fé cristã não é uma confiança infundada, apenas existencial, mas, ela tem um conteúdo próprio, tendo Deus criado em Jesus Cristo uma figura concreta da salvação (cf. Rm 8,29).

Crer não é tão somente aderir "àquele que ressuscitou da morte Jesus, Senhor nosso" (Rm 4,24), mas é simultaneamente fé no próprio Jesus Cristo: "pela fé em Jesus como Messias; válida sem distinção para todos os que crêem,... e demonstra sua justiça no presente, sendo justo e tornando justos os que crêem em Jesus" (Rm 3,22.26). "Sabemos que o homem não obtém a justiça pela observância da lei, mas por crer em Jesus Cristo; nós cremos em Cristo Jesus para obter a justiça pela fé em Cristo, e não por cumprir a lei, pois pelo cumprimento da lei ninguém obtém a justiça" (Gl 2,16). 

A fé abre caminho para a comunhão com Cristo e assim para a salvação e todas as suas energias salvífica (cf. Gl 3,1-5). A fé modela toda a vida de um cristão (cf. Gl 2,20). Também a fé tem o seu testemunho visível no amor (cf. Gl 5,6.13; Rm 10,10; 1Cor 13), o amor de Deus, de Cristo e dos que crêem se exigem mutuamente.

O termo "conhecimento" para Paulo: "considero tudo perda em comparação com o superior conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por ele dou tudo como perdido e o considero lixo, contanto que eu ganhe Cristo" (Fl 3,8), designa também a nova autocompreensão e a nova experiência religiosa. 

É necessário que a caridade mútua cresça constantemente "que vosso amor cresça sempre mais em conhecimento e em toda espécie de percepção" (Fl 1,9). É preciso colocar a caridade à luz do "conhecimento e percepção", para poder discernir. Discernir não no sentido entre o bem e o mal, mas entre o bom e o melhor.

O conhecimento de Deus na fé é, na verdade, "ser conhecido por Deus" (Gl 4,9).

Muito Ágape ao teu coração. Vamos Amar!!!

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A MORAL DO NATAL!

Texto: Lc 1,26-38

O nascimento de uma criança é a conclusão de um evento. Antes do nascimento, a criança vive no seio de sua mãe, no seu íntimo, aguardando o momento sagrado da sua concepção.
O Natal de Jesus Cristo é a manifestação de um mistério muito mais profundo acontecido antes no seio de Maria Santíssima, isso se chama o mistério da Encarnação do Verbo. Esse é um dos mistério grandes que envolve toda a Santíssima Trindade.

O Advento toma de improviso um novo significado que é a espera da revelação do mistério da Encarnação. Esse mistério estava escondido em Deus e há nove meses também ficou escondido em Maria Santíssima.

A respeito da Encarnação, pode-se falar dos pontos de vista teológico, moral e espiritual.

Essa reflexão é toda baseada na "união Hipostática", que é, o coração do mistério.

Mas, o que é união Hispostática?
De maneira simples podemos dizer: na Encarnação realizou-se entre Deus e o homem uma união tão íntima e profunda de modo a formar dos dois um único ser, ou "uma só pessoa": Jesus Cristo.

Deus se introduziu no seio da humanidade para gerar uma nova vida. A raça humana não é mais a mesma depois da Encarnação, depois da união Hipostática. Ser "humano", tomou um novo sentido, e uma nova dignidade em Cristo. Podemos hoje chamar Deus de Abbá, porque houve a Encarnação.

A Encarnação funda também todo o empenho moral do cristão, imitar a Jesus Cristo. Quando Jesus torna-se homem, diz ao homem: Aprendei de mim. Vinde após mim. Não é mais uma moral que é baseada na Lei, agora é baseada no seguimento de Cristo.

Jesus, em sua vida, foi coerente com sua Encarnação, estava livre diante das coisas, mas interessado e sensível às coisas, melhor dizendo, ao sofrimento, que é a nota mais dolorosa deste mundo.

Jesus tinha duas grandes preocupações inseparáveis: os pobres e os sofrimentos. Mas a nossa preocupação em relação aos pobres não pode ser igual a de Judas (cf. Jo 12,4-6). Conheço muitos preocupados em ajudar os "pobres", os "sofridos", mas que na verdade estão preocupados com a bolsa das ofertas.

Um cristão não deveria ver uma criança desnutrida e descalça sem pensar imediatamente em Jesus. Ele está presente nela, até mesmo se identificou com elas. Essa nossa fé na Encarnação, deve nos sensibilizar a nos comprometermos pelos que "sofrem" e pelos "pobres".

Aquilo que gostaríamos de fazer a Ele para honrar sua carne, devemos fazer aos irmãos que são sua carne exposta e sofredora. Não devemos venerar a cabeça do Senhor que ressuscitou e está no céu e calcar aos pés, sem notar, seus pés nus que estão ainda sobre esta terra; porque os pés nus de uma criança do Terceiro Mundo são os pés nus de Jesus.

É esta a "moral do Natal". Que o Senhor nos fortifique e nos ajude a traduzi-la na realidade da vida. 

Muito Ágape ao coração.

Essa reflexão é tirada do livro: "O Verbo se faz carne" de Raniero Cantalamessa, Ed. Ave-Maria.

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