domingo, 9 de setembro de 2007

HOMEM E MULHER OS CRIOU


Nossa sexualidade é um dos mais belos dons que recebemos do nosso Pai amado. Ela se expressa em todas as áreas do nosso ser: nosso corpo, nossos pensamentos, nossos sentimento, nossa forma de nos relacionarmos

Há que salientar (...) a importância e o sentido da diferença dos sexos como realidade profundamente inscrita no homem e na mulher; ‘a sexualidade caracteriza o homem e a mulher não apenas no plano físico, mas também no psicológico e espiritual, marcando todas as suas expressões’. Não se pode reduzi-la a puro e insignificante dado biológico, mas é ‘uma componente fundamental da personalidade, uma sua maneira de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir exprimir e viver o amor humano’.

O mundo foi criado por Deus com distinções, ordenado a partir do caos a partir de diferenças. Este entendimento será importante para bem percebermos a beleza e harmonia da sexualidade masculina e feminina.

No texto de Gn 1,1-24, descreve-se o poder criador da Palavra de Deus que estabelece distinções no caos primigênio. Aparecem a luz e as trevas, o mar e a terra firme, o dia e a noite, as ervas e as árvores, os peixes e as aves, todos “segundo sua própria espécie”. Nasce um mundo ordenado a partir de diferenças que por sua vez, são outras tantas promessas de relações.

Relacionamento entre o homem e a mulher
A diferença vital entre ambos é orientada à comunhão e é vivida de forma pacífica, expressa no tema da nudez. “Ora, ambos andavam nus, o homem e a sua mulher, e não sentiam vergonha” (Gn 2,25). Assim, o corpo humano, marcado pelo selo da masculinidade ou da fecundidade, “comporta ‘desde o princípio’ o atributo “esponsal”, ou seja, a capacidade de exprimir o amor: aquele amor precisamente no qual o homem-pessoa se torna dom e – mediante esse dom – realiza o próprio sentido do seu ser e existir (...). Nesta sua particularidade, o corpo é a expressão do espírito, e é chamado, no próprio mistério da criação, a existir na comunhão das pessoas, ‘à imagem de Deus’.

Sexualidade ou gênero?
Existe hoje correntes hodiernas que desfavorecem enormemente a adequada identificação sexual ao preconizarem o “gênero” como uma escolha que o homem “teria o direito” de fazer para “escolher” seu gênero. Tais correntes de pensamento – eminentemente materialista e pagão – afirmam ainda que cada pessoa tem em si algo de masculino e feminino e que a ela cabe desenvolver um dos lados ou ambos e escolher viver esta ou aquela faceta de sua identidade.

É fácil verificar o engano destas teorias diante do que nos ensinam a Palavra e a Igreja: Deus criou o homem, criou-o à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Ele disse a ambos: Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. O que for diferente disso não vem de Deus.

Em que influi nossa sexualidade
Nossa sexualidade tem um papel fundamental em tudo o que somos, pensamos, fazemos e na maneira como existimos, pensamos, sentimos e agimos. Em nossa história da salvação pessoal, a nível de autoconhecimento e de auto-identificação, é imprescindível que tenhamos uma identidade sexual coerente e bem definida, pois é como homem ou como mulher que nos relacionamos com a criação, com os outros, com nós mesmos e com Deus.

Uma compreensão adequada da sexualidade deve levar em consideração toda a personalidade e que o simbolismo positivo da sexualidade depende de:
a) uma imagem realista de si
b) uma imagem realista do outro
c) a capacidade de iniciar e manter relacionamentos maduros
A nossa identidade sexual não é o agente definitivo da identidade total, mas como parte integrante dessa identidade e como sinal de auto-identificação claramente masculina ou feminina.

Amor, liberdade e auto-identificação a nível da sexualidade
A cultura paganizada e globalizada na qual estamos imersos tem-nos inculcado de todas as formas um cem número de contra-valores típicos da mentalidade relativista, hedonista, individualista e sexista em que vivemos. Tais valores chamam a morte de vida, o egoísmo de amor, a escravidão de liberdade. Verdadeiramente temos a impressão de que chegamos a um extremo de distorção dos valores do Evangelho.
Se entende por liberdade como “direito de fazer o que eu quero do jeito que quero na hora que quero”, pondo em risco a vivência do Evangelho, a fé, mas a dignidade mesma da pessoa humana, criada para o amor e para liberdade, nesta ordem.

Ao colher de Deus o amor é possível viver a liberdade verdadeira. Ao buscar a liberdade em si mesmo e por si mesmo, o homem afasta-se do amor e, sem esta fonte essencial, vive no deserto da escravidão.

Fala Bento XVI da liberdade a partir da Parábola do Filho Pródigo, que você podemos vê em Lc 15,11-32. “Com a partida do filho pródigo estão vinculados precisamente os temas da vida e da liberdade. Ele deseja a vida e por isso quer ser totalmente livre. Nesta visão, ser livre significa poder fazer tudo o que desejo; não ter que aceitar qualquer critério fora e acima de mim mesmo. Seguir exclusivamente o meu desejo e a minha vontade. Quem vive assim, embater-se-á depressa com o outro que quer viver desta mesma maneira. A conseqüência necessária deste conceito egoísta de liberdade é a violência, a destruição recíproca da liberdade e da vida. Ao contrário a Sagrada Escritura une o conceito de liberdade ao de progenitura. São Paulo diz: ‘Vós não recebestes um Espírito que vos escraviza e volta a encher-vos de medo; mas recebestes um Espírito que faz de vós filhos adotivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai’’ (rm 8,15)”.

São Paulo ao nos ensinar que somos filhos e não escravos quer nos dizer: “No sistema social do mundo antigo , em que existiam escravos, aos quais nada pertencia e que por isso não podiam interessar-se por um reto desenvolvimento dos acontecimentos. Correspondentemente havia os filhos, que eram também os herdeiros e que por este motivo se preocupavam com a conservação e a boa administração da sua propriedade ou com a preservação do Estado. Dado que eram livres, tinham também uma responsabilidade. Prescindindo do contexto sociológico daquela época, é valido sempre este princípio: liberdade e responsabilidade caminham juntas. A verdadeira liberdade demonstra-se na responsabilidade , num modo de agir que assume sobre si a co-responsabilidade, pelo mundo, por si mesmo e pelos outros. Livre é o filho, a quem pertencem as coisas e que por isso não permite que as mesmas sejam destruídas. Nós realizamos o bem não como escravos, que não são livres de agir de outra forma, mas fazendo-lo porque temos pessoalmente a responsabilidade pelo mundo; porque amamos a verdade e o bem, porque amamos o próprio Deus e, portanto, também as suas criaturas. Esta é a liberdade verdadeira, para a qual o Espírito Santo nos quer conduzir”.

A mentalidade mundana oferece-nos uma “liberdade simulada”, uma liberdade irresponsável na qual não há obediência a Deus como Pai, nem respeito a si mesmo e ao outro e, conseqüentemente, irresponsabilidade e inconseqüência quanto aos próprios atos, ordenados primordialmente para si mesmo e não para o bem e para a vontade de Deus.

Perguntas:
1. Como você entendia o fato de Deus ser fonte do amor e da liberdade e que você , criado a imagem e semelhança de Deus, ser chamado(a) a viver o mesmo amor e liberdade que ele vive e comunica a seus filhos?
2. A mentalidade do mundo diz que liberdade é fazer o que bem se quer e entende sem dar satisfações a ninguém. O que você, diz sobre isso?
3. Você leva a sério a busca para viver a vontade de Deus para sua vida?
4. O que é pra você a obediência?
5. Você ainda acha que pode fazer o que quiser sem medir as conseqüências de seus atos na sua própria vida e na dos outros?

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