sexta-feira, 28 de setembro de 2007

VOCAÇÃO: O CHAMADO DE DEUS



Jesus Cristo é a verdade do ser humano: por sua maneira de falar e de viver, ele revela o que somos e o que devemos ser. Ele realiza plenamente a vocação do ser humano, pois é a plenitude do que a fé cristã entende por salvação: a realização definitiva e perfeita do ser humano em todas as suas dimensões.

Além de revelar o mistério de Deus, Jesus Cristo revela o homem a si mesmo: “Na realidade, o mistério do homem só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado. Com efeito, Adão, o primeiro homem, era a figura daquele que haveria de vir, isto é, de Cristo Senhor. Novo Adão, na mesma revelação do Pai e de seu amor, Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre a sua altíssima vocação” (Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo de hoje, 22).

Ao querer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4), Deus chama o ser humano à comunhão de vida consigo e continuamente o atrai à plenitude de sua vida. Eis a vocação primordial e universal do ser humano.

A perfeição do amor pode ser buscada e atingida em qualquer estado de vida. Para São Francisco de Sales todos os estados de vida são chamados à santidade cristã, e a perfeição se mede pelos graus de amor que se manifestam no cumprimento da vontade de Deus.

Deus escolhe uma pessoa para um determinado estilo de vida ou uma missão, como uma maneira de comunicar-lhe sua própria vida, e para que a pessoa, por sua vez, também a comunique a seus semelhantes. Ele chama uma pessoa fazendo com que queira uma determinada maneira de viver, pense que é bom viver assim, sinta-se bem e goste desse tipo de vida. Eis a vocação específica ou particular.

A castidade e o celibato são dons de Deus e devem ser acolhidos e cultivados, pois tendem à plenitude da vida divina. Todos os cristãos, sejam solteiros, casados ou celibatários, são chamados a viver castamente, ou seja, a integrar a dimensão da sexualidade dentro da visão global da fé. O celibato é um estilo de vida caracteriza um determinado grupo de pessoas.

A castidade é o autodomínio das energias sexuais e a integração da sexualidade na perspectiva da reciprocidade amorosa. Somente como expressão de amor a sexualidade encontra seu sentido e plenifica a pessoa humana.

O celibato é a identificação afetiva de vida com o Cristo celibatário; é uma vocação não comum, diferente, que implica uma ajuda especial da graça de Deus para que a pessoa considere bom viver dessa maneira, queira e consiga viver assim. A integração espiritual da sexualidade no celibato é um caminhar plenificante, fonte de alegria e de sinceridade, mas forçosamente austero e doloroso em certos momentos. Se não se descobre efetivamente que a renúncia às relações sexuais é criadora, e que a mortificação com Cristo é princípio de ressurreição, de vida nova, então não há experiência verdadeira do celibato por causa do Reino de Deus.

Todos são chamados a atingir a maturidade afetiva e espiritual. Isso compreende não somente o controle da própria sexualidade, mas também a inserção na sociedade e a integração na comunicação eclesial.

Autor: Danilo Mondoni, SJ (Folheto Bilhetes Mensais – Apostolado da Oração no Brasil)

Nenhum comentário:

NOTÍCIAS DA IGREJA