quinta-feira, 25 de outubro de 2007

DESCE DEPRESSA - Lc 19,1-9

A história de Zaqueu é também um pouco a nossa, que um dia teve a oportunidade desse encontro com o Mestre.

A cidade de jericó está situada em direção ao rio Jordão, a 25km de Jerusalém, mas neste momento quero me lembrar de outra cidade: a cidade do meu coração, esta pequena Jericó onde Jesus, mais uma vez, quer entrar e fazer sua moradia.

Vale aqui um pequeno questionamento: como anda esta cidade do meu coração?

Tenho permitido que Jesus atravesse estas ruas e praças interiores, tornando-a uma "cidade santuário" transformada por ele? Ou meus muros, altos e fechados, estão impedindo a ação de sua graça, do seu amor?

Como outrora preciso das trobetas da oração que farão com que estes pesados muros sejam derrubados e assim iluminada por Deus enxergarei melhor também aos meus irmãos e suas necessidades.

"Havia um homem chamado Zaqueu" (v.2). Qual é o meu nome? Sei ter um nome conhecido e amado pelo Senhor e isto me traz alegria e me dá segurança.

"Era muito rico" (v.2). Nesta hora reflito sobre minhas riquezas, meu querer "ter" e não "ser" e reconheço minha pobreza espiritual, minha pequenez, minhas escuridões, minha busca, muitas vezes errada, de realização.

Zaqueu era chefe, um Secretário da Fazenda, um líder que deveria auxiliar sem ser servido, sugerindo soluções, construindo, apontando respostas.

Em minhas cehfias e lideranças, na família, no trabalho, na Igreja, no mundo, identifico-me com este pequeno homem de Jericó que "Procurava ver quem era Jesus" (v.3)? Esta atitude de busca, este desejo de encontrar, é o primeiro passo da fé atuante.

"Buscai e achareis" (Lc 11,9). É verdade que meu propósito é ainda imperfeito e o desânimo me envolve, mas o amor tudo vencerá. Precisarei procurar com intensidade, como os Magos (Mt 2,2), como Zaqueu e depois partilharei o que encontrar, por pouco que seja.

"Senhor, que eu veja" (Lc 18,41). Meus irmãos esperam ver Jesus em mim e isto só acontecerá por meio do testemunho, da sinceridade de uma autêntica vida.

Infelizmente observo "uma multidão" (v.3) que impede o Encontro: são minhas imperfeições, limitações, dificuldades, vícios, pecados. Sou de "baixa estatura espiritual" (V.3) e preciso crescer, tornar-me adulta, deixando toda a infantilidade, a mediocridade, meus defeitos, rompendo imediatamente com esta multidão, podendo assim atingir a meta desejada.

Como Zaqueu, não posso deixar-me atrapalhar pela multidão, terei que "corer adiante" (v.4), superando os obstálos, não descansando até conseguir e sem perder a coragem, sem olhar para trás, subir em direção às árvores, às montanhas da vida, cheias de empecilhos, mas que me levarão a encontrar o Senhor.

Ele passa a cada segundo, sempre chegando no momento certo e não poderei perder a hora da graça, a hora do seu agir.

"Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação". Jesus me olha, me convida com carinho (2Cor 6,2b) e me aconselha: "desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em sua casa"(v.5).

Elisabeth da Trindade, beata carmelita descalça do Carmelo de Dijon, na França, é uma mestra de vida espiritual e nos deixou esta meditação feita em dias de retiro individual, onde num clima de solidão e silêncio buscava mais intensamente tornar-se um "louvor de glória da Santíssima Trindade": "O Mestre repete constantemente à nossa alma esta palavra que ele disse um dia a Zaqueu: "Desce depressa". Mas qual é, pois, esta decida que ele exige de nós, senão uma entrada mais profunda em nosso abismo interior? Isto não é uma "separação exterior", mas uma "solidão do espírito", um desprendimento de tudo que não é Deus.

Enquanto nossa vontade tem caprichos estranhos à união com Deus, fantasias de sim e de não, nós permanecemos no estado de infância e não caminhamos a passo de gigante no amor; porque o fogo ainda não queimou toda a liga; o ouro não está puro; estamos ainda em busca de nós mesmos; Deus não destruiu toda a nossa hostilidade a ele. Mas, quando a fervura da caldeira acabou com todo o amor vicioso, então o amor é perfeito e o anel de ouro de nossa aliança é mais largo do que o céu e a terra. Aí está o celeiro secreto, onde o amor coloca seus eleitos. Este amor nos arrasta para os desvios e as veredas que somente ele conhece; e nos arrasta sem que voltemos atrás um passo sequer" (O Céu na Fé - 2ºdia).

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