sábado, 20 de outubro de 2007


PREFÁCIO

O processo de Evangelização Fundamental está intimamente relacionado com três elementos: o evangelizador, o evagelizado e o Querigma. Do perfeito conhecimento e relacionamento desses três elementos é que dependerá o sucesso de uma Evangelização integral. O mais importante na evangelização é levar as pessoas a uma experiência pessoal com Jesus. Que sintam no coração o ardor da chama do amor de Deus, e responda a esse amor com um compromisso de vida e conversão.
Mais muitas vezes fracassamos, porque não conhecemos bem os elementos com os quais vamos trabalhar. É preciso tornar estes três elementos partes de sua vida, seja fazendo com que, como evangelizador, conheça de forma geral a pessoa do evangelizado (suas necessidades e esperanças); seja fazendo com que você, evangelizador, conheça o conteúdo e a força transformadora do meio, que é o Querigma.
Mais tudo isso só terá validade se o evangelizador reconhecer a sua dependência e necessidade da ação do Espírito de Deus, pois é Ele que realiza o “querer” e o “fazer”. Os evangelizadores precisam ser uma voz que clama no deserto. O evangelizado precisa descobrir a força transformadora do amor de Deus, através de nós, evangelizadores. Daí, a necessidade, primeiro, de termos convicção interior do Deus que vamos anunciar. Tudo mais é detalhe que virá facilitar o trabalho, mas não substituir o poder do Espírito. Nunca deixe a técnica sobrepor ao Espírito; que aquela primeira convicção, isto é, a técnica, esteja subjugada a este, ou seja, ao Espírito.

INTRODUÇÃO


Texto: Ef 4,11

 O Apóstolo – é aquele que coloca o fundamento inicial de uma comunidade e a levanta.
 O Profeta – interpreta os desígnios de Deus para o momento atual na comunidade.
 O Evangelista – proclama o Querigma, a Boa Notícia; agrega à comunidade novos fiéis que são atraídos pela Palavra de Salvação.
 O Pastor – guarda e leva adiante o rebanho.
 O Doutor – aprofunda, através da Catequese, a doutrina e a Teologia.

É o evangelizador que cabe a iniciativa, o ímpeto, o ataque, a capacidade de enfrentar situações diversas, de compreender o mundo que pensa diferente, interpretar as necessidades dos que parecem distantes, entrar no desejo profundo da verdade, da justiça de Deus, que há em cada um e torná-lo explícito. É uma atividade que vai, em vez de esperar; que inquieta, em vez de acomodar; enfim, é uma atividade capaz de criar o momento e a hora adequados.
Eis a missão que floresce diante de você, que foi chamado a evangelizar. Este é o momento. Esta é a hora de levar ao mundo o amor de Deus, o perdão e a salvação. Você é canal da Graça, só se faz necessário que você seja como Felipe (At 8,40); que seja capaz de percorrer cidades pregando o Evangelho (At 8,29a); dócil ao Espírito (At 8,29b); que seja capaz de enfrentar o homem, interrogando-o, suscitando perguntas e respostas. Assim é o Evangelizador: capaz de descobrir as necessidades do homem que aparenta uma certa distância de Deus, mas que, no fundo é carente do Amor Salvador de Deus.

QUEM É O EVANGELIZADOR

Conhecer o ponto de partida é muito útil para poder percorrer um caminho preciso. Conhecer o evangelizador significa conhecer melhor cada um de nós que fomos chamados (Mc 3,13). Convidando a permanecer, enviando a proclamar a Boa-Nova, a anunciar a libertação e a instauração do Reino.
Quem é o evangelizador?
• Todo aquele que se sente chamado por Jesus (Mc 3,13-15).
• Todo aquele que se sente convidado a ficar com Jesus, a permanecer na presença de Jesus.
• Todo aquele que se sente enviado a anunciar o Reino.

1º - CHAMADO: Ex 3,3-4
Jr 1,4-5
At 9,15-16
Jo 1,39
Mc 1,16-20
Todos os que serviram ao Senhor sentiram um dia o chamado dEle. Talvez ainda não descobriu a sarça ardente que esta dentro de você, ou não tenha sentido. Não importa se neste momento, você esteja questionando o seu chamado, pois o mesmo não foi tão claro e violento como o desses evangelizadores Bíblicos. Não se preocupe, o Senhor de varias maneiras. O que importa é a sua convicção interior de que você é um convidado; de que Deus te chamou; de que Ele o escolheu; e tudo isso só por um motivo, só por uma razão: Ele ama você! O evangelizador experimenta esse chamado através desse Amor incrível de Deus.

2º - FICAR, PERMANECER: Jo 7,37
Mt 11,28
Mc 3,14
Os 2,16
Mas importante que falar de Jesus é falar com Jesus. O evangelizador precisa ser íntimo de Jesus. Precisa passar tempo com Ele; ter alegria em estar na sua presença; não ficar apressado em falar dEle. Mas a exemplo de Maria, guardar tudo no coração para, no momento certo, saber o que falar.
O grande problema nosso, no relacionamento com Deus, é não crer que Ele quer “perder tempo” conversando conosco. É importante procurarmos equilíbrio entre Marta e Maria.

3º - ENVIADOS: Mc 16,15
Ex 3,10
Jo 20,21
At 9,20
É preciso convencer-se desse mandato de Deus para você. O evangelizador precisa encarnar esta palavra. Deixá-la tornar vida em sua vida. Temos a mesma missão de Jesus. Por nosso batismo fomos enxertados em Cristo Jesus. Se estamos n’Ele, e participamos do mesmo Espírito, é para que façamos o mesmo que Ele: anunciar a Boa Nova e instaurar o Reino de Deus neste mundo.

OS DESTINATÁRIOS DA EVANGELIZAÇÃO: QUEM SÃO E DE QUÊ NECESSITAM

Para que uma pesca seja boa, é necessário que conheçamos algo sobre o pecado, não adianta usar isca de milho para pescar um peixe que gosta de carne. Eu preciso conhecer a preferência do peixe que desejo pescar. Com isca apropriada e instrumento adequado, tenho tudo para uma boa pesca.
Texto: Mt 17,26 – Jesus um dia manda Pedro ir ao mar com uma vara de pescar, para pegar um determinado peixe. Pedro, que era um pescador de rede de repente se vê ter que pescar com vara. Pedro sabia que Jesus conhecia melhor que ele a pesca, pois já havia provado isso no lago de Genesaré, naquela pesca maravilhosa (Lc 4).
O evangelizador precisa conhecer o básico sobre o evangelizado, ou seja, que hora deve pescar com vara ou rede e que isca usar dependendo do momento.

Quem iremos evangelizar?
A primeira parte do Bom Samaritano (Lc 10,29-33) dá-nos o retrato do evangelizado; busca traçar o seu perfil de forma muito nítida e real. Vamos analisar:
O Evangelizando está descendo de Jerusalém. Jerusalém representa a cidade do Messias, é o centro da fé de Israel; é o lugar onde repousa a presença de Deus.
O Evangelizando está indo para Jericó. Jericó é a cidade que simboliza o mundo do comércio, do dinheiro e da diversão.
O evangelizado sempre vai esta na contramão e se quisermos encontrá-lo, basta estarmos sempre na mão.
Aquele homem descia da cidade santa, quer dizer, abandonava o ambiente da fé e se distanciava do santuário divino. O homem que necessita ser evangelizado, sempre estará querendo distanciar-se da presença de Deus. Dificilmente ele quer esta na luz (Is 59,2).
O evangelizado, é aquele que estar sempre sob o poder de um deus do século, e estes são alguns dos deuses poderosos deste século: dinheiro, poder e prazer. O mundo não conhece a verdade, por isso não pode ser libertado. O mundo jaz nas trevas, e se queremos convertê-lo precisamos levá-lo a crer para podermos libertá-lo.
O homem descia. O homem que procuramos para evangelizar está sempre descendo na sua integridade, nos seus valores morais. Ele perdeu o sentido do certo. Ele não consegue superar suas limitações. Haverá sempre um vazio dentro dele, sempre uma sensação de inutilidade, de angústia, de depressão, de medo, enfim, sempre um desejo profundo de autodestruir-se.
Caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram... e o deixaram quase morto. O nosso mundo caiu nas mãos do ladrão do sensualismo, do bandido do materialismo, e foi assaltado pelo ateísmo. Os bandidos despojaram sua dignidade, sua segurança e hierarquia de valores. Não apenas lhe tiraram coisas materiais, como tentaram até arrebatar-lhe a vida. Deixaram-no ferido de morte. Depois de aproveitarem-se de seus bens, abandonaram-no como um brinquedo velho inútil.
Deixando-o meio morto... Nosso mundo agoniza, porque não conhece a Deus; não sabe que Deus o ama. Aí temos um retrato daquele que devemos evangelizar; suas carências, suas necessidades, suas angústias, sua falta de esperança e sua escravidão aos demais deuses do século.
O Paciente a Ser Tratado

1º - Quem é a pessoa a ser evangelizada?
- O mundo.

2º - Qual a situação clínica do paciente?
- Estado de coma, em tratamento intensivo.

3º - Qual a causa de sua enfermidade?
- O pecado pessoal e social.
- O desconhecimento de Deus.

4º - Qual a terapia indicada?
- Evangelização
- O Querigma (Evangelização Fundamental).

5º - Qual a chance de reabilitação?
- Ampla, se seguir as instruções bíblicas e as orientações de nossa Igreja.

O QUERIGMA: O QUE REALIZA E O QUE É?

É uma parte da evangelização profética que está dividida: Querigmática e Catequética. A evangelização profética é a palavra proclamada; o anúncio da Boa Nova. Todo o anúncio, através da palavra, a sua proclamação profética; ou seja, toda pregação que damos com o objetivo de que conheçam e aceitem Jesus. Chamamos de Querigma ao primeiro anúncio da mensagem cristã. O querigma é pra ser vivido. É no evangelho de Lucas e nos Atos dos Apóstolos, que vamos encontrar a resposta para o que seja Querigma.
Em At 2, 3, 10 e 13 que temos o anúncio em forma sintética mais breve do Primeiro Anúncio, da Salvação evangélica. Um elemento importante do anúncio é a referência a uma situação vivida presente. O Querigma parte de uma experiência do homem; é relacionado com uma situação que, tanto eu que falo, como a pessoa que me escuta, estamos vivendo. Tem que ser partindo de uma situação que a pessoa está vivendo é possível mostrar-se o sinal do poder de Deus. Por isso a fé do evangelizador e a certeza, que o anunciador tem da situação que está vivendo determinada pessoa, são susceptíveis de diferente interpretação. Há sempre algo relacionado com a pessoa que está escutando; há sempre uma boa notícia.
É obvio que não é uma receita para ser seguida à risca, mas sim pistas para facilitarem o trabalho do evangelizador. Precisamos ter em mente que pregar o Querigma e anunciar Jesus é trazer o evangelizado à presença de Jesus. Fazer a pessoa experimentar este Deus salvador é despertar nele a capacidade de sentir a presença de Deus. Não adianta falarmos se não conseguimos despertá-lo para uma experiência com Jesus em sua vida.
O Querigma, partindo da situação presente do homem, colocando nela a ação poderosa de Deus, apresenta este Deus que inverte as situações humanas, ressuscitando Jesus; que é capaz de transformar a sua vida; que põe dentro de você uma vitalidade, um novo poder de operar, que é o dom do Espírito. O Poder do Espírito é esta nova vida que transforma. Não se pode dizer isso simplesmente em palavras: é a experiência vivida do evangelista.
O que o Querigma realiza?
Realiza todas as coisas que aconteceram no fim do colóquio de Jesus com os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). Sucedem coisas que, interiormente, dão à pessoa um novo horizonte, uma nova respiração.
Primeiro – abrem-se os olhos (v.31).
Segundo – arde-se o coração no peito (v.32).
Terceiro – corre-se para anunciar aos outros a mensagem que não se consegue conservar por mais tempo e, por isso, se parte comunicando (v.33).
Quarto – encontram-se todos reunidos e a todos comunica-se a Palavra (v.35).
Aqui foi sintetizado o que o Querigma realiza no homem: abertura dos olhos, ardor do coração, desejo de comunicar aos outros, desejo de fazer comunidade. Isso acontece onde existe o anúncio verdadeiro, onde não há existe tristeza, sensação de peso, de medo do futuro, frustração.
Quando evangelizarmos vamos analisar se estes elementos estão presentes em nossas vidas, e se somos capazes de transmití-los para o evangelizado.

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