quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

GUARDAI-VOS PARA A VINDA DE CRISTO


Para muitos dos piedosos judeus os tempos que precederam o nascimento de Jesus, boa parte da vida se resumia em conversar, discutir e orar a respeito do Messias que estava por vir, o qual, esperavam eles, uma vez manifestado, iria restaurar o Reino de Israel (cf. At 1,6). Viviam na expectativa desta manifestação do restaurador. Ele veio, “e embora sendo de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens, e humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl 2,6-8), e, por isso, nem todos o reconheceram como o Messias, o Cristo de Deus, ainda que supostamente preparados para a sua vinda, e assim continua sendo até hoje. E o antigo cântico continua em outra estrofe: “Morreu em uma cruz entre dois ladrões... Para o Rei dos reis que estranho lugar...”

Muitos de nós, nos imaginamos que nos guardamos para ele, e esperamos a sua manifestação grandiosa em nossas vidas. Mas, tal como os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35), quantas vezes ele vem ao nosso encontro, caminha conosco, nos revela tantas coisas e nós continuamos na dúvida, mesmo sentindo o coração se abrasando com o seu amor envolvente?

Outros se limitam à celebração, apenas, e histórica da vinda do Senhor, na época do Natal, como se este doce hóspede de nossas almas, não tivesse o ardente desejo de fazer moradas em nós, os que amam e guardam a sua palavra (cf. Jo 14,23), e, por isso, ele se manifesta a nós e não ao mundo (v. 22), para que nós que o conhecemos o manifestemos ao mundo.

Mas, guardar-nos para a vinda de Cristo, é muito mais do que isto; é muito mais do que esperar a sua volta gloriosa, sabendo que ele virá em breve (cf. Ap 3,11); é muito mais do que guardar-nos para o encontro definitivo com o Senhor Ressuscitado, que para cada um de nós pode ser ainda hoje; é saber que ele está agora à porta e bate (cf. Ap 3,20), esperando tão somente a oportunidade de ouvirmos a sua voz e abrir a porta, para que ele possa entrar, e cear conosco. É esperar a cada dia a manifestação do Amor do Senhor, guardando-se para a sua chegada ao nosso coração, como exortava Moisés, o servo de Deus, no final de sua velhice: “Cumula-nos desde a manhã com as tuas misericórdias, para que exultemos de alegria em toda a nossa vida” (Sl 90,14), vivendo na plenitude do seu amor, a cada momento, reconhecendo-o sempre que ele está à porta e quer entrar, e não apenas como os discípulos que caminharam com ele e só o reconheceram no partir do pão. Amém!

Autor: Nelson A. Frederico, Comunidade Emanuel. Revista “Jesus Vive e é o Senhor” nº 185, novembro de 1993.

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