sábado, 26 de janeiro de 2008

CHAMADO DE DEUS/NOSSA RESPOSTA

Para nós cristãos todos somos chamados a uma vocação. Ela é, antes de tudo, um dom de Deus! Deus nos chama para sermos felizes. A felicidade só é possível no amor! E o amor mais verdadeiro é aquele que vem de Deus, porque é gratuito. Na vida todos somos chamados a desempenhar uma missão! Construir um mundo cada vez melhor para todos! Segundo a visão cristã nós podemos viver uma vocação como casados, assumindo o compromisso com uma família; como solteiros, assumindo o compromisso conosco e sendo úteis na construção da sociedade; como religiosos, assumindo o estilo de vida comprometido com os votos; como sacerdotes, assumindo a missão de evangelizar. Em todas elas somos chamados a realizar a vontade de Deus!

Nossa resposta se dá quando optamos livremente por um dos estilos de vida acima citados e o vivemos na perspectiva da fé, fazendo tudo o que fazemos com o propósito de realizar o plano de Deus para a humanidade. No caso da opção pela vida religiosa, a vocação vai se manifestando através do testemunho de vida e da ação concreta implantando os valores do evangelho. Enquanto que o mundo nos impulsiona em direção ao dinheiro, ao sexo, ao poder, a vocação religiosa nos impulsiona no sentido oposto: para a pobreza, para a castidade, para a obediência. Isso tudo motivado pela Palavra do Evangelho que nos diz: só em Deus encontramos sentido final para nossas vidas e a realização plena!

PRIMEIRO SINAL DE UMA VOCAÇÃO RELIGIOSA
O primeiro sinal é: você tem algum ideal de vida? Sente-se inclinado, atraído para ele? Você sente certa satisfação em pensar nisso? Sente um certo ardor no coração, entusiasmo, alegria ou inquietação? Deus não chama ninguém contra vontade da pessoa. Você precisa sentir-se livre, em primeiro lugar, pois Deus não quer escravos. A opção tem que ser sua, feita livre e responsavelmente. Deus não trabalha com robôs, mas com pessoas livres! O desejo de seguir a vocação religiosa deve aparecer dentro de você como algo bom e atraente! É espontânea, não é imposta nem forçada por outras pessoas, mas é um desejo de seu coração! Deus tem muitas maneiras de chamar alguém! É preciso dar atenção ao que nosso coração nos pede em relação a Deus, pois lá bem no fundo dele está uma voz interior que nos inquieta e convida! Uma outra dica para quem quer ser religioso é: você sentiu atração pelo jeito de viver de algum religioso que você conheceu. Desejou ser como ele?

SEGUNDO SINAL DE UMA VIDA RELIGIOSA
O segundo sinal é: você quer seguir este tipo de vida por quais razões? Trata-se de saber quais as motivações, interesses que o movem na direção da vida religiosa. Por exemplo, sente um desejo forte de realizar o que Cristo propôs. Desejo de segui-lo como fizeram os Apóstolos. Entregar sua vida pela causa dos mais necessitados. Anunciar os valores do evangelho a quem ainda não os conhecem! Como você vê, são motivações que vão além de seus interesses puramente pessoais. Levam-no a sair de si mesmo.

São motivações insuficientes essas do tipo: "quero ter mais segurança na vida", "porque na vida religiosa tem casa e comida". Também não é motivação verdadeira "porque me sinto sozinho, tenho dificuldade de fazer amizade". ou "na vida religiosa vou encontrar pessoas com quem conviver." Também não vale como motivação se alguém pensa em ser religioso "porque fracassou na vida, não conseguiu namorada, emprego ou decepcionou-se" ou "porque não conseguiu estudar."
A vida religiosa é um jeito de viver diferente daquele que o mundo oferece. É mais transcendente. Se você sente dentro de seu coração aspiração para algo maior, mais profundo, que dê sentido mais pleno a sua vida, então pode ser que você está procurando no lugar certo!

TERCEIRO SINAL DE UMA VOCAÇÃO RELIGIOSA
O terceiro sinal é: ter aptidão. Isso significa que você é capaz de conviver com outras pessoas diferentes de você e com elas condividir responsabilidades, aceitar suas limitações e as dos outros sem que isso represente um fardo pesado demais para você e você para os outros. Não se trata apenas de aptidão para fazer coisas, pois essas todos temos algumas, mas ser capaz de assumir os compromissos religiosos com alegria, disponibilidade e fidelidade. Para você saber se tem ou não aptidão para isso, é preciso dar tempo para discernir. Tempo para conhecer alguma comunidade religiosa, convivendo, observando, fazendo experiências. Em outras palavras precisa amadurecer sua opção. Para isso precisa estar aberto para o discernimento.

PROCESSO DE DISCERNIMENTO
O Discernimento se faz ouvindo a voz de Deus que se manifesta pelo Espírito Santo, na medida em que você vai refletindo e descobrindo o chamado interior. Duas pessoas entram em diálogo: Você e Deus! Durante o processo você tentará conhecer a ambos melhor, especialmente a você mesmo. Tanto você quanto Deus desejam a mesma coisa: Sua felicidade. Você e Deus estão trabalhando um com o outro e um para o outro. O Processo de discernimento, às vezes, se dá através de lutas interiores, buscas que se aprofundam aos poucos! Os passos seguintes servem como uma espécie de roteiro para ajudá-lo no discernimento.

Primeiro passo: Coloque-se em contato consigo mesmo!
Perceba o que você gosta e o que não gosta . Seus medos e seus sonhos, suas esperanças e interesses. Suas habilidades e limitações. Reflita como você trabalha consigo mesmo. Aceita-se? De modo geral você está contente consigo, com seu jeito de ser, com o que você é capaz de fazer? Que tipo de liderança você tem? Você suporta contrariedades? Examine como os outros o vêem. Eles gostam de trabalhar com você e você com eles?
Um modo de perceber o chamado de Deus é também ver Deus "agindo e falando" em todos os aspectos da vida. Deus criou você como ser único, você tem sua personalidade única e permite você experimentar sua história pessoal que deixou muitos condicionamentos em você ainda presentes hoje. Conforme você vai conhecendo melhor a você mesmo, você pode querer mudar alguns aspectos na maneira de encarar o futuro. Contudo é importante neste momento você aceitar-se como é! Tente fazer uma lista de seus sentimentos, desejos, idéias e você terá um auto-retrato de como você se vê neste momento de sua vida, que tipo de pessoa você é.

Outro jeito de auto-conhecimento e auto-descoberta é manter encontros de diálogo com um orientador espiritual ou com alguém que você possa confiar e o ajude a ver as coisas com clareza. Ele não deve tomar decisões por você, mas ajudá-lo a ver com maior clareza a que você quer tomar.

Segundo passo: Estar em contato com Deus
Desenvolva ou fortaleça sua vida de oração. Você precisa aprender ouvir Deus em sua oração e não meramente pedir para que Ele o escute! Você precisa gastar tempo com Deus, ouvindo, esperando, sendo honesto consigo mesmo em silêncio, na presença dele. Oração é uma resposta muito pessoal para o amor pessoal que Deus tem por você. Sua oração será tão original quanto você é. Não tenha medo de procurar sua maneira pessoal de rezar. Tente até encontrar seu jeito de sintonizar-se com Deus num amor filial. Você pode servir-se também das fórmulas já existentes, sobretudo daquelas de origem bíblica. Há também bons livros disponíveis que podem ajudá-lo na oração. Procure-os ou peça ao orientador espiritual para indicar para você. Exercite-se também em descobrir traços de Deus na natureza, nos acontecimentos de sua vida, em outras pessoas. Quanto mais você conhecer a Deus, tanto melhor você será capaz de perceber e sentir sua presença em sua vida e nas coisas criadas por ele.

Terceiro passo: Continuando a decisão - fazendo o processo
Quanto mais você se torna íntimo de si mesmo e de Deus, tanto mais a oração estará presente em sua decisão. Analise as alternativas que você tem. Escreva os prós e contras de cada alternativa. Tente projetar que efeito terá cada alternativa sobre sua vida agora e daqui a dez anos.

Sendo a vida religiosa uma alternativa, procure o maior número possível de informação sobre várias comunidades religiosas. Informe-se sobre os apostolados, o estilo de vida da comunidade. Peça para visitar comunidades locais. Passe algum dia com elas para experimentar o estilo de vida ali vivido no dia a dia . Veja e analise também outras opções de vida que você teria onde você poderia empregar seus talentos e dons. Pergunte a si mesmo "onde me sentirei mais em casa"?

Converse com pessoas que optaram pela vida religiosa. Tente imaginar-se como membro de uma comunidade religiosa, também como uma pessoa casada ou como uma pessoa solteira, leiga engajada na Igreja. Onde você sentir-se-ia mais à vontade? Para onde seu coração está impulsionando você?

Assim que você tenha assimilado os fatos sobre as diferentes opções que estão diante de você, esteja atento aos seus sentimentos. Se você for aberto e honesto consigo mesmo no primeiro e segundo passo, você pode confiar nos seus sentimentos agora. Considere o que lhe parece ser a melhor opção para você e que parece ser também a vontade de Deus.

Quarto passo: Confirme sua decisão
Depois de ter tomado sua decisão, gaste algum tempo prolongado em oração para sedimentar sua decisão e ver se ainda lhe parece ser a melhor opção para você. Se for, você experimentará uma sensação de paz profunda e satisfação. Essa sensação deverá continuar por algumas semanas para ter certeza de que a paz que você sente é verdadeira tranqüilidade e não simplesmente um alívio de tensão depois de ter feito uma decisão difícil. Você pode também confirmar sua decisão partilhando-a com seu orientador espiritual ou alguém com quem você se aconselhou durante o processo.

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