quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O AMOR

"O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si mesmo um ser incompreensível, sua vida é privada de sentido se não se lhe revela o amor, se não o experimenta e o faz próprio, se não participa nele vivamente".

Nestas palavras da primeira encíclica "Redentor do homem" de João Paulo II acha-se, de certo modo, sintetizada toda a doutrina cristã atinente ao amor, é exatamente aí onde afirmamos existencialmente, que o amor está a experiência constitutiva e determinante de cada pessoa.

O amor é a chave do segredo para uma autêntica amizade e para um esquecimento próprio. Sem amor, não há esquecimento de si mesmo, mas somente egoísmo, sensualidade, orgulho. Ao contrário, com ele, o nosso espírito mesmo sendo o mais extraviado volta ao bom caminho e os corações reconquistam a sua nobreza de Filhos de Deus.
Um amor santo guia os corações, previne-lhes as quedas, livra-os da desordem. Ao egoísmo opõe a generosidade; ao orgulho, a humildade; à avidez de prazeres e glória, a abnegação, o espírito de serviço e o esquecimento próprio. É o amor que restitui e converte o homem em herói, em santo. Independentemente, da profundidade de suas quedas. O amor é o imã irresistível que atrai todas as forças divergentes da alma. Até aquelas que pareciam refratárias a unificação.

Felizmente, o amor é aquilo que há de maior no homem; é o que lhe permite ultrapassar a si mesmo, na descoberta do outro, ir mais longe no desabrochar de todas as suas riquezas. Por isso, a diminuição do amor é a coisa mais terrível que pode acontecer: quando o amor se degrada, em vez de elevar o homem, ele o sufoca, mergulha-o na sua miséria, nos seus limites. Na verdade, a caricatura do verdadeiro amor, cava no homem uma profundeza que dá à sua vida uma “gravidade” no sentido forte do termo, e faz com que o homem seja fixado sobre aquilo que há de essencial, sendo assim perfeitamente ele mesmo, chegando a uma plenitude, ultrapassando-se, unindo-se ao seu bem que o aperfeiçoa. Santo Agostinho considera que o amor, neste sentido, é um “peso” – pondus amor – pois ele arrasta o homem para seu próprio lugar:

“É no nosso Dom que repousamos. Nele gozamos de Vós. É o nosso descanso, é o nosso lugar. É para lá que o Amor nos arrebata e que o Espírito Santo levanta o nosso abatimento desde as portas da morte. Na vossa boa vontade temos a paz. O corpo, devido ao peso, tende para o lugar que lhe é próprio. Assim o fogo se encaminha para cima, e a pedra para baixo. Movem-se segundo o seu peso. Dirigem-se para o lugar que lhes compete. O azeite derramado sobre a água aflora à superfície; a água vertida sobre o azeite, submerge debaixo desta: movem-se segundo o seu peso e dirigem-se para o lugar que lhes compete. As coisas que não estão no próprio lugar agitam-se mas, quando o encontram, ordenam-se e repousam.

O seu amor é o peso. Para qualquer lugar que fores, é ele que te levara. O vosso Dom inflama-nos e arrebata-nos para o alto. Ardemos e partimos. Fazemos ascensões no coração e cantamos o cântico dos degraus. É o vosso fogo, o vosso fogo benfazejo que nos consome enquanto vamos e subimos para a paz da Jerusalém celeste. Regozijei-me com aquilo que me disseram: Iremos para a casa do Senhor. Lá nos colocará a boa vontade para que nada mais desejemos senão permanecer ali eternamente”.

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