quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

TIPOS DE AMOR


Amor de concupiscência, Amor de benevolência e Amor de amizade

I - Amor de concupiscência é o amor passional, ou seja, é o amor do vinho bom. Ama-se o vinho bom, não para que o vinho seja bom, mas para gozar dele. Portanto, é por si mesmo que se ama o vinho.

II - Amor de benevolência é o inverso do amor de concupiscência. Ama-se o outro por ele mesmo. Eis porque o amor de benevolência é sempre relativo a uma pessoa humana, que só pode ser amada por ela mesma. É por isso também que o amor de benevolência é um amor espiritual desinteressado, capaz de ultrapassar o amor de concupiscência que sempre implica uma espécie de egoísmo. O amor de benevolência é preferível utilizar esta expressão do que falar de “altruísmo” (abnegação), nos faz então amar verdadeiramente o outro por ele mesmo.

Mas, amar o outro por ele mesmo, não é ainda a amizade mas, simplesmente, generosidade. Há homens que são generosos ao ponto de amar os outros por eles mesmos. A generosidade pode nos fazer dizer: “Eu te amo, por ti mesmo; o que é que devo fazer, para te ajudar, para te servir?” Isso, no entanto, não é ainda o amor de amizade. O amor de amizade não pode existir sem reciprocidade; é preciso que o amor de benevolência a respeito daquele que se ama por ele mesmo, encontre o amor de benevolência daquele que é amado com respeito àquele que o ama. Portanto pode-se dizer que o amor de amizade implica a união de dois amores de benevolência. Por este amor recíproco, nós amamos aquele que nos ama, escolhemos aquele que nos escolhe. Porém, para que melhor compreender o sentido autêntico dessa reciprocidade do amor de amizade, temos a seguinte frase... “Ama-se o amigo por ele mesmo, em primeiro lugar, e é primeiramente por nós mesmos que o amigo nos ama”.

No entanto, o que determina a amizade é a amabilidade mesma do amigo. Não é porque o amigo me ama que eu o amo, mas porque ele é tal; senão seria preciso esperar muito tempo. O amigo ama seu amigo por ele, mesmo e não porque este o ama, o que muito diferente! E como o amigo, ele também, ama seu amigo por nós mesmos, então seu amor poderá se desenvolver plena e totalmente.

Desde que sabemos que alguém nos ama por nós mesmos, com um amor espiritual, nosso amor pode, então, se desabrochar verdadeiramente. Essa reciprocidade é muito mais que uma simples condição, mas isto fica difícil de exprimir, tanto é verdade que nossa linguagem é pouco adaptada à fineza e à sutileza do amor. Certamente, é preciso que o amigo seja amado por seu amigo, para que seu amor para com ele possa desabrochar; há ali mais que uma condição. Mas, não digamos, portanto, que é o amor pelo qual nós somos amados que determina nosso amor. Isto seria catastrófico! Entretanto, é muito freqüentemente isso que acontece, infelizmente ! e isto explica porque o amor de amizade não pode conservar sua nobreza. Com efeito, se nós amamos o outro porque ele nos ama, nós o amamos por nós e não mais por ele mesmo. Um amor captativo se introduz nesse momento no amor de amizade, destruindo-o de dentro.

III - O amor de amizade exige, ao contrario, que eu ame o outro porque ele é amável, isto é, porque ele é para mim um bem pessoal, capaz de me atrair e de suscitar em mim um amor. Efetivamente, o que é o bem, senão o que capaz de nos atrair e de suscitar em nós aquela força muito particular que nos leva para aquele que nós amamos? É o bem que nos atrai e nós somos levados para ele. O amigo é nosso bem, que nos atrai e, deixando-nos tomar por ele, nós respondemos a esta atração. E se aquele que nós amamos nos faz compreender que ele também nos ama, e, portanto, que nós mesmos o atraímos, tornando-nos assim para ele um centro de atração, o amor de amizade pode então desabrochar na confiança e na reciprocidade.

O amor de amizade implica sempre o encontro de dois amores de benevolência, e é por isso que ele é o amor pessoal no que ele tem de mais excelente. Por outro lado, o amor de amizade é um amor espiritual, pois que ele faz amar uma pessoa por ela mesma: ele é, portanto, um amor de benevolência que opera um ultrapassar a respeito de tudo o que representa o egoísmo e o retorno sobre si mesmo. No amor de amizade, não olhamos senão através do amor do outro. É assim, aliás, que nós podemos muito melhor olhar-nos, porque aquele que nos ama nos comunica o olhar que ele tem sobre nós, que é muito mais profundo que aquele que nós poderíamos ter sobre nós mesmos.

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