quinta-feira, 20 de março de 2008

PÁSCOA: PASSAGEM DESTE MUNDO PARA O PAI


Texto: Jo 13,1 "Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou".

No contexto do versículo inteiro, temos Jesus, o Filho de Deus, que estava no mundo mas nunca a ele pertencera, dando os últimos passos para passar pela extrema prova do amor: a morte e a ressurreição.

Chegara a hora de Jesus passar deste mundo para o Pai. Na dimensão da Pessoa de Jesus, chegara a hora de apresentar-se diante do Pai após vencida a grande prova de obediência até a morte como prova de amor a Ele e a nós. Era o momento da glorificação do Pai (cf. Jo 17,1). No amor provado pela morte, na vitória provada pela obediência, na ressurreição provada pela remissão estava atestado o SIM do Filho ao Pai, em quem sempre estivera.

No encontro pessoal, vitorioso, glorioso do Filho com Seu Pai, estamos, como filhos no Filho, todos nós. Com Jesus, por Jesus e em Jesus somos chamados a passar deste mundo para o Pai. Depois de Sua prova extrema de amor, Jesus está indivisivelmente unido a nós e com Ele nos retira da morte do mundo para a vida da ressurreição.

Com Jesus, passamos do mundo para o Pai. Não seria possível passar usando nossas próprias forças, pois sem Ele estaríamos ainda atados ao pecado e engodados no mundo. A salvação consiste, enfim, nesta passagem para o Pai e esta passagem só pode ser feita em Cristo (cf. Jo 14,6), pois a salvação, acima de ser um fato histórico, consiste na própria pessoa de Jesus, o Ieshuah a salvação de Deus.

Nos capítulos 13 a 17 do Evangelho de São João, Jesus fala por diversas vezes sobre o mundo e sobre sua vitória sobre ele, certamente ensinando aos seus discípulos e a nós em que consiste a luta, as armas e a vitória em nosso relacionamento com o mundo.

A LUTA
O mundo é dominado pelo "Princípe deste mundo"(Jo 16,11), que é o próprio satanás, entronizado neste posto pelo nosso pecado original. Este princípe das trevas com seu séquito de espírito dominadores deste mundo (cf.Ef 6,15) torna-se o "pai" daqueles que, enraizados na mentalidade do mundo, estão cegos, surdos e, endurecidos em seus corações, não aceitam Jesus e a mentalidade do Evangelho.

Este mundo, que lutou contra Jesus e o odiou até levá-lo à morte, também odeia os que amam Jesus e entra em constante batalha visando a destruição dos que O seguem (cf.Jo 15,8). Este fato coloca o cristão em intermitente luta contra o mundo, contra o mal.

A luta que travamos, não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo e forças espirituais do mal espalhadas pelos ares. Podemos estar mais ou menos conscientes desta luta, em especial contra os príncipes deste mundo, e, em geral, nosso grau de consciência de que estamos em uma luta determina darmos a vitória ao lado que já venceu, isto é, a Jesus ressuscitado.

Muitas vezes, ouvimos falar desta luta, sabemos que é uma luta, sabemos que é uma luta espiritual e, no entanto, vivemos como se ela não existisse, como se a batalha não incluísse também nossa vida, nossas atitudes, nossa opção pelo Evangelho ou pelo mundo. No mais das vezes, temos apenas uma vaga consciência da luta e nem sabemos contra que lutar e, até, como lutar.

Temos então a tendência de achar que não temos nada a ver com esta luta e que ela já foi vencida por Jesus. Não precisamos mais nos preocupar. Vivemos, em consequência, como se estivéssemos fora da batalha, pois, com Jesus, vencemos o mundo.

E é verdade, com Jesus, de fato, vencemos o mundo e, com Ele, passamos deste mundo para o Pai. No entanto, somos "gente de carne e osso" e tomar uma atitude como a descrita acima seria nos eximirmos da grande tarefa da busca da santidade.

Jesus venceu o mundo... pela obediência até a morte. Os santos venceram o mundo...pela mortificação. Mas o que é a morte? O que é a obediência? O que é a mortificação? O que é o mundo?

O INIMIGO A COMBATER
O que é o mundo, afinal?
É qualquer mentalidade, ideologia, idéia, filosofia, atitude ou proposta que contrarie o Evangelho, quer abertamente, quer com as quais o inimigo disfarça seus ataques. E isto inclui todas as áreas da vida humana: sua afetividade, sua sexualidade, seu relacionamento com as outras pessoas, com seus bens, com a cultura, com a sociedade e - pasmem - com Deus.
Em qualquer esfera de nossa vida podemos nos relacionar conosco mesmos, com os outros, com os bens, com a cultura e até com Deus segundo a mentalidade do Evangelho ou segundo a mentalidade do mundo.

Para dar alguns exemplos: Jesus nos ensina a orar: "Pai, que seja feita a vossa vontade" e nós queremos forçar Deus a fazer a nossa; Jesus nos ensina a dividir o que temos em bens, tempo e amor com os que necessitam (mesmo que necessitem menos do que nós!), mas sempre nos achamos os mais necessitados de todos; Jesus nos ensina a pureza e a indissolubilidade do matrimônio e nós aceitamos e defendemos o divórcio, a pílula, o aborto... mesmo sendo cristãos...

O Evangelho é uma proposta de resgate do mundo para o Pai. Resgate da pessoa, da sociedade, da cultura, da mentalidade; resgate dos relacionamentos, dos planos, da indepedência de Deus. O cristão que vive o Evangelho automaticamente entra em combate com o mundo que o odeia e para o qual ele está crucificado (Rm 6,6; Gl 5,24) e, neste combate, tem a visão e a generosidade de fazer um resgate efetivo, prático, visível de todas as áreas para o Seu Senhor.

O inimigo a combater é o anti-Evangelho disseminado pelo príncipe deste mundo nesta verdadeira era de valores pós cristãos em que vivemos. E o anti-Evangelho está nas tendências de nossa carne, na mentalidade disseminada pelos meios de comunicação, nos filosofismo e psicologismo que atraiçoam a verdadeira ciência e nos quais nos apoiamos tantas vezes para educar nossos filhos e "nos conhecermos" ou "sermos felizes".

Que você possa fazer uma bela reflexão para avaliar a vida. Qual o sentido que você esta dando a ela.

(adaptação da Revista Maná, ano VI Nº15, pag.8 à 9)

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