segunda-feira, 21 de abril de 2008

LEVANTA JERUSALÉM - II PARTE

"Não durmamos, pois, como os demais. Mais vigiemos e sejamos sóbrios" (1Ts 5,6).


Infelizmente, muitos preferem ficar na cama do abatimento, da passividade, da inércia espiritual. Escondem suas lâmpadas debaixo do alqueire enquanto o mundo perece nas densas trevas. Envoltos por problemas e tribulações, estes servos estão como Lázaro ao sair do túmulo: vivo, mas envoltos em faixas. Como Elias, estão sempre a pedir a Deus que afaste as dificuldades de suas vidas. Se deitam debaixo do zimbro e dizem: "já basta, ó Senhor!" (1Rs 19,4). Não se dão conta que "do Senhor é a guerra" (1Sm17,47) e que vivemos os dias do fim. Como o profeta, ouviremos do Senhor: "que fazes aqui, Elias?" (1RS 19,13). Nosso lugar não é deitado embaixo da árvore das nossas decepções, das injustiças sofridas, das perseguições, dos nossos problemas pessoais. O nosso lugar é o de atalaias no meio de um povo perdido, sofrido, desesperançado, sem rumo de vida, e lá sermos aquela água que saciou a samaritana; aquele perdão que transformou a vida da mulher adúltera; a palavra que ressuscitou Lázaro dos mortos. É anunciando Jesus Cristo aos povos, esta é a posição que o Senhor quer que ocupemos. Por isto Deus nos diz: "levanta, e come" (1Rs 19,5). O Senhor está em busca de homens alimentados pela Palavra, missionários zelosos, cheios de amor pelas almas: "ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. E indo, pregai, dizendo: O reino dos céus está próximo. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios" (Mt 10,6-8).


A estratégia para estes dias de decisão e intenso combate espiritual é: "não durmamos, pois, como os demais. Mais vigiemos e sejamos sóbrios" (1Ts 5,6). Mas há muitos irmãos dopados espiritualmente; sonâmbulos tropeçantes; ébrios do vinho da desesperança e da descrença; dormindo acordados, sonhando em acumular tesouros e ganhar a vida. Tudo isto é tão estranho! Parece que Jesus "virou a curva" e muitos cristãos "seguiram reto". Desaprenderam a amar o próximo; já não partilham mais seus bens; negligenciam os momentos de oração, de leitura da Palavra de Deus, de adoração ao Senhor; são pessoas que não aceitam qualquer coisa que exija renúncia; que gastam muito tempo diante do espelho, cuidando do corpo, mas por dentro há um coração que não ama a Deus acima de todas as coisas; participam das festas, bingos, chás, mas não se "sentem chamadas" às vigílias, ao jejum, à adoração ao Santíssimo; gostam de chamar a atenção para si, de estarem lá na frente, de receberem "tapinhas" nas costas, mas não trabalham; querem ser pastoreadas, mas não pastoreiam ninguém; são servos sem tempo; preguiçosos, indiferentes, de olhares críticos, pensamentos licenciosos e coração impenitente; cheios de rodeios teológicos, mas desprovidos de espiritualidade santa. Como diz São Caetano, por estas pessoas: "Cristo espera e ninguém se mexe".


Como Abraão,o Senhor nos chama a levantarmos da terra do nosso comodismo; nos chama a sacrificar o Isaac de nossos apegos, projetos pessoais, e muitas pequenas coisas em nossa vida que podem ser mudadas; como fez com o grande profeta Elias, nos faz acordar do nosso sono da depressão, pois só "o Senhor levanta a todos os corações abatidos" (Sl 145,14); como Jesus disse à filha de Jairo: "levanta-te, menina" (Lc 8,54), como fez com o único filho e esperança da viúva de Naim: "jovem, eu te ordeno: levanta-te" (Lc 7,14), ou como fez aquela Senhora que a 18 anos estava encurvada e só via o chão: "mulher, estás livre de sua enfermidade" (Lc 13,12), assim também o Senhor deseja levantar a todos, crianças, jovens e velhos, para uma nova vida, a vida de filhos ressuscitados. O Senhor está integralmente interessado em abrir os olhos dos seus escolhidos e despertá-los para a ressurreição em Cristo.


É hora de tomarmos posse da vida eterna! Sim, já podemos viver esta vida gloriosa, em parte, aqui na terra. Mas primeiro é preciso morrer! Pois a morte precede a ressurreição. Se queremos relamente viver, temos que morrrer primeiro. E não só estou falando da morte final, nos últimos dias, pois esta, às vezes, não é a pior morte. Mas há uma lenta. Que se nos despara todos os dias, e que exige de nós muito mais sacrifício, renúncia, e submissão. Ela nos dilacera por dentro, nos fazendo gemer como em dores de parto. É a morte do homem velho, que Deus exige do homem novo, obra do Espírito Santo. Sem a morte de um, ou outro não prevalece.


Existe, portanto, algo em nós que precisa morrer: o ego; é algo que precisa ser reavivado: o nosso homem espiritual. Sem a disposição firme de irmos para o Calvário não haverá para nós a gloriosa vitória da ressurreição. A morte do ego é o caminho; é a redução a zero da influência da carne.


O novo e vivo caminho para esta conquista foi trilhado vitoriosamente por Jesus na cruz. Ele pagou um altíssimo preço para cumprir o plano de resgate do homem, e também o Pai sofreu uma dor que o nosso entendimento e dimensão de vida seria incapaz de entender e comparar, ao ver seu filho amado morrer por nós. Foi por amor que Jesus foi julgado irregularmente; marcado por escarrros, escárnios, açoites, flagelos, falsas testemunhas, solidão, e chegou a morrer na cruz, para através dela resgatar a humanidade - passado, presente e futuro - do julgo da morte. Assim todos aqueles que adormeceram em Deus foram salvos. Ele adormeceu na carne para despertar na mansão dos mortos, e assim libertar todos os que eram prisioneiros das travas, começar por Adão e Eva. Quebrandoos grilhôes e correntes, ele despojou os principados e potestades, expondo-os publicamente ao desprezo, triunfando deles na cruz (cf. Cl 2,15). E na escuridão da morte surgiu uma luz radiante e uma voz do Senhor se fez ouvir: Sai! Chegou a vossa libertação! Despertai do sono da morte!


No presente século os homens andam como mortos vivos a caminhar pelas ruas de nossas cidades. Parece que os túmulos se abriram e múmias vivas, envoltas em fachas, estão a dormir o sono da ignorância sobre Deus. Para despertar do sono da morte esta geração, o Senhor exige uma condição: tirai a pedra! E esta pedra cabe à Igreja retirar. Sem removermos a pedra da incredulidade, os milagres que Jesus quer operar em nossas vidas e na dos irmãos não acontecerão; sem removermos a pedra dos pecados incorrigíveis, o Senhor não nos poderá nos levantar do sono das trevas; sem retirarmos a pedra das idolatrias, Deus não nos livrará do sono da morte eterna; sem removermos a pedra de nossas convicções, o Senhor não conseguirá despertar do pesadelo da racionalização das coisas de Deus. Assim também os homens destes tempos estão do lado de fora da tumba, mas continuam a exaltar o terrível cheiro podre que existe do lado de dentro. No entanto, é incrível encontrar a morte dentro da fonte de vida: a Igreja. É por isto que vemos hoje, como na igreja de Éfeso, cristãos abandonando o primeiro amor. Formados em mornidão espiritual na escola de Laodicéia; pós-graduados em iniqüidade na escola de Tiatira; experientes na arte de enriquecer na escola de Pérgamo; que terminam na escola Fúnebre de Sardes, onde finalmente encontram a morte espiritual. Daí não encontram raízes para viver, nem felicidade em coisa alguma.


Mas Jesus disse: "eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá" (Jo 11,24-25). E ele não disse isto referindo-se à ressurreição dos últimos dias, mas à nossa ressurreição hoje. É por isto que estas trombetas estão ecoando exatamente no meio daqueles que deveriam ser os arautos de Deus. O Espírito está nos chamando a nos conformarmos com a vida nova de Cristo e despertarmos muitas pessoas que estão vivendo num estado de sono profundo.


O Espírito está dizendo à Igreja: eu preciso de você para atear fogo neste mundo! Desperta Saul, do sono da falta de vigilância na hora da adversidade (cf. 1Sm 24,4); desperta Sansão, do sono da imprudência na hora da sedução (cf. Jz 16,19); desperta Davi, do sono da indulgência diante da tentação (cf. 2Sm11,2); desperta Jonas, do sono da desobediência em tempo de missão (cf. Jn 1,1ss); desperta povo de Deus preguiçoso, pois o Senhor está esperando que façamos não o elementar, o básico, o trivial, o possível, mas o impossível. Sim, nossa incapacidade reconhecida unida à onipotência dele é a alavanca que vai mover os poderes deste mundo. Chamados a reinar com Cristo, compete ao Sião de Deus influenciar este mundo com nosso viver. Precisamos viver a nossa vida nova. É tempo de realizarmos a maior revolução que este mundo já viu: vamos saquear o inferno! Vamos povoar o céu! A Jesus toda a glória; a nós o Espírito que nos capacita e nos leva ao Pai. Amém.


Bibliografia: adaptado da Revista "Jesus Vive e é o Senhor", nº 202 ano 1995 pag.12-14.

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