quarta-feira, 9 de abril de 2008

O SENHOR CHAMA... MAS EU ESCUTO?

No silêncio interior desce o chamado. Do silêncio interior sobe a resposta.
No Antigo Testamento, Deus fala ao seu povo Israel através dos profetas.inspira-lhes para que eles revelem a palavra de Deus: a sua palavra de admoestação, de amor, de consolação. No Novo Testamento, agora, Deus manifesta o seu Verbo encarnado, Jesus. Jesus é a palavra de Deus para todos nós e para cada um de nós. O que diz Deus em Jesus, através de Jesus, para você e para mim? E Jesus, que coisa diz a você e a mim?

Jesus faz conhecer a cada um de nós a mesma mensagem que os profetas do Antigo Testamento transmitiram a Israel. Realmente, em muitas profecias do Antigo Testamento posso ouvir Jesus que fala a mim pessoalmente: posso aplicá-las a mim mesmo como palavra do Senhor, especialmente para mim. O Senhor me diz, agora: “Chamei-te pelo nome: tu me pertences” (Is 43,1).

Maria Madalena, encontrando Jesus após a sua ressurreição, lhe falou sem reconhecê-lo: mas depois ele disse: “Maria!”(Jo 20,16). Ela pensou que fosse o jardineiro, mas o reconheceu quando ele a chamou pelo nome.

Quando vamos ao encontro de Jesus na oração, Jesus pronuncia o nosso nome e nós o reconhecemos, o amamos.
O profeta Jeremias nunca pôde resistir ao Senhor que o chamara, que lhe dissera: “Antes de formar-te no ventre materno, te conhecia!” (Jr 1,5). Às vezes, quando o anúncio da palavra do Senhor lhe trazia transtornos e sofrimentos, Jeremias tentava fingir que não ouvia o Senhor que o chamava pelo nome, mas não conseguia: “Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir” (Jr 20,7). Deus profere o meu nome, chamando-me. Chama-me a uma nova experiência de Jesus, transformadora, a um relacionamento pessoal, amoroso, com Jesus.

Ser chamado pelo nome significa ser escolhido. Deus podia criar toda e qualquer coisa: decidiu, no amor, criar-me. Chamou o nome à alta voz, e eu comecei a existir. “Antes de formar-te no ventre materno, te conheci”. Entre todas as pessoas da terra reunidas diante dele, Deus me escolheu de modo especial – chamou alto o meu nome, nome de um escolhido para conhecê-lo, louvá-lo, honrá-lo e servi-lo.

Jesus disse aos discípulos: “Alegrai-vos, porque os vossos nomes estão escritos nos céus”. No Livro do Apocalipse fala “daqueles que estão escritos no livro da vida do Cordeiro” (Jo 21,27). Tão preciosos somos pra Jesus, nosso Salvador, que ele promete dizer nossos nomes a seu Pai: “O vencedor será vestido de brancas vestes, não apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e diante dos seus anjos” (Ap 3,5). Deus disse a Moisés: “Eu apagarei do meu livro aquele que pecou contra mim” (Ex 32,33).

Enquanto estamos quietos diante de Jesus, pronunciando o seu nome com amor, como ele pronuncia o nosso, é necessário que nos abramos a ele naquelas áreas da nossa vida, onde sabemos que não somos vencedores, onde não conseguimos alcançar alguma vitória sobre nós mesmos. “Apenas o Espírito Santo pode penetrar e conquistar, levando a Deus algumas áreas da nossa vida e algumas profundidades do nosso ser, onde nenhum mandamento divino nem conselho evangélico, nem regra eclesiástica nem decisão pessoal podem chegar”. De Jesus é a vitória, e ele pode realizá-la em nós, apenas se lhe dedicamos tempo, se permanecemos estreitamente unidos a ele. Deus revelou o seu nome a Moisés “...o meu Senhor se chama Zeloso: ele é um Deus ciumento”. “Consumo-me de ardente amor por Sião; estou animado em favor dela de uma violenta cólera” (Zc 8,2); ardor colérico contra as forças do mal, “ninguém pode tirar as minhas ovelhas da Mao de meu Pai” (cf. Jo 10,29). Quando, finalmente, estivermos na presença de Jesus, após a nossa vitória que ele conquistou por nós e ter combatido a boa batalha, Jesus realizará a sua promessa: “Ao vencedor darei... uma pedra branca sobre a qual está escrito um nome novo, que ninguém conhece senão aquele que a recebe” (Ap 2,17). O nome com o qual me chama é ainda um segredo de Deus: “Chamei-te pelo nome, tu me pertences”.

Posso simplesmente permanecer em silêncio, a mente e o coração na quietude total, abandonado nas mãos do Senhor, deixando que ele me chame pessoalmente pelo nome, e que a minha resposta ao seu chamado seja doce, amorosa atenção a ele que me chama a si. Ou posso orar lenta e simplesmente, usando palavras minhas, dizendo ao Senhor o que sinto, agradecendo-o por ter-me chamado pessoalmente, pedindo-lhe a graça de responder ao seu chamado com amor, com generosidade e com fidelidade.

Ainda: posso ler muito lentamente os salmos. Os salmos podem se tornar uma amorosa resposta-oração ao Senhor, um reconhecer de que ele me conhece profundamente e uma resposta ao seu amor.

Senhor Jesus, tu me chamas pelo nome. Ajuda-me a ouvir a tua voz que me chama. Ajuda-me a escutar-te em silêncio, no amor. Ensina-me a abrir o meu coração ao teu amor e a corresponder ao imenso amor que tu tens por mim. Amém.

autor: adaptação da revista: Jesus Vive e é o Senhor, janeiro de 1996, nº211

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