terça-feira, 29 de abril de 2008

PARTILHAR COM CRISTO AS LEMBRANÇAS DOLOROSAS

Texto base: Lc 24,1-35


Introdução


As lembranças dolorosas nos ferem não só física mas também psicologicamente.


Para que haja cura física e psicologicamente devemos confessar e revelar não apenas as cicatrizes, mas também o que as causou. Quando confessamos que não falamos livremente como Cristo gostaria que fizéssemos, estamos falando de uma cicatriz, mas quando admitimos que não perdoamos a pessoa que riu de nós na escola, atingimos a causa.


É preciso voltar as lembranças passadas que nos causa agir de maneira estranha, ter ações que não gostaríamos de ter.


Voltar com Cristo aos acontecimentos passados, quando as pessoas nos rejeitaram e depois de perdoá-las como Cristo fez, vamos nos descobrir menos temerosos de ser rejeitados, mas também mais pacientes em nossos relacionamentos.


A cura das lembranças inicia-se quando percebemos que existe um Deus que nos ama, e nos ama muito. Do jeito que somos, como as nossas falhas, pecados, erros, mágoas, feridas, raiva... É necessário deixar-se amar. Descubra o quanto Deus te amou e ama.


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AGRADECENDO A DEUS OS DONS


Deus nos moldou da poeira do solo fazendo de nós uma obra-prima que suplanta qualquer Pietà (Gn 2,7).


Deus sempre esta a nos reformar constantemente, tão logo nos desfiguramos ele já está esculpindo e juntando os pedaços outra vez.


Os primeiros passos para a cura é nos conhecermos, quando descobrimos o nosso valor infinito. O menor golpe egoísta acaba destruindo essa imagem beta em nós. Somos a obra de arte de Deus (cf. Ef 2,10).


Quando agradecemos a Deus o que nos dá, começamos a ver a nós mesmos não mais pelos nossos olhos mas pelos olhos dele.


Quando conhecemos às nossas dádivas, percebemos à nossa necessidade de cura e assim chegaremos a ser do jeito que o nosso escultor quer que sejamos.


Somente as Escrituras pode nos ajudar a nos vermos como o nosso criador nos vê. Ele reproduziu em nós a sua imagem. Para percebermos isso é necessário observar os nossos sentimentos e aprecia algumas partes do nosso corpo.


Um exemplo claro é quando percebemos como as nossas mãos presentearam e como fomos presenteados por elas.


Concentrando nas nossas graças poderá parecer uma exaltação ao eu, mas não é, é para o nosso escultor.


Quando apreendemos mais da nossa beleza, estamos prontos, para tomar os fragmentos e os pedaços e juntá-los como o nosso Criador o feriu.


Quando lhe pedimos para nos curar, não estamos apenas olhando para os fragmentos e os pedaços nas nossas mãos, mas antes para a obra-prima que somos.



DINÂMICA: CÍRCULO DO AMOR



*Relembre as vezes em que, na sua vida, você experimentou o amor e o crescimento desse amor.


*Faça um círculo e escreva o nome de 5 pessoas através das quais Deus o amou e o chamou para crescer.


*Escreva depois, 5 acontecimentos através das quais Deus o amou e o chamou para crescer.


*Agora, ocupe o seu tempo em orações, agradencendo a Deus por todas as maneiras pelas quais ele o(a) amou.


DINÂMICA: TRIÂNGULO DO AMOR


*Relembre as vezes em que, na sua vida, você ofereceu amor e crescimento aos outros.


*Faça um triângulo, escreva o nome de 5 pessoas que, através de você Deus chamou para amar e crescer.


*Depois, escreva 5 acontecimentos através dos quais Deus o(a) usou ao chamar outros para crescer.


*Ocupe agora um tempo para a oração, agradecendo a Deus todos os meios que ele usou para que você amasse os outros. Agradeça-lhe o modo como usou cada parte do seu corpo, pra fazer o outro feliz.


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A CURA DAS LEMBRANÇAS


Depois de encontrar a origem da lembrança, partilhamo-la com Cristo exatamente como fez Cleópas e o seu companheiro na estrada de Emaús. Cristo não os censurou por terem os rostos tristes, ao invés de tratar do presente, deteve-se no que lhes causou a depressão.


Falando do acontecimento com Cristo eles viram o fato não apenas da sua perspectiva limitada, mas também da perspectiva dele. O mais importante é que perdoaram como Cristo o fez, um perdão que vem de dentro e que traz a cura. Assim, não caminharam mais com rostos tristes mas com o coração ardendo.


Como os homens na estrada, falamos com Cristo sobre uma lembrança que nos leva a responder ao medo, culpa ou dor, ao invés de responder a ele. Falar sobre uma lembrança passada, que nos mutila, pode parecer algo psicológico, e é.


Quando aproximamos Cristo dessa lembrança, conseguimos o necessário para alcançar o perdão.


Devemos estar conscientes e uma lembrança que está na origem das nossas reações. Não se trata de um exercício de busca e descoberta, é antes uma permissão ao Espírito Santo para que ele traga à nossa consciência as lembranças dolorosas que ele deseja curar. Algumas vezes o Espírito Santo nos mostra a origem de uma lembrança conscientizando-nos de quando começamos a agir dessa maneira.


Talvez tenhamos medo de que o Espírito traga de volta uma lembrança que havia sido enterrada há muito tempo e que permaneceria enterrada até então. Mas essa lembrança, embora enterrada e inconsciente, pode ainda estar inflamando dentro de nós, fazendo-nos agir de certas maneiras que magoam Cristo.


Não olhamos para as nossas lembranças para ver quão terríveis somos, mas para ver que defeito podemos reparar com o nosso Artista. Se nos conscientizamos de uma lembrança que nos perturba, devemos agradecer ao Espírito esse autoconhecimento.


Da mesma maneira que os viajantes de Emaús falaram tudo a Cristo sobre os acontecimentos de Jerusalém, falamos com Cristo de uma lembrança que precisa ser curada. Nós o convidamos a vir ao lugar, apresentamo-lo às pessoas e escutamos com ele o que estão dizendo.


Todos os sentimentos, emoções, todo o mal, raiva, solidão, revolta e o desejo de agressão devem ser levados a Cristo para a cura. Ele ouve todas as palavras - mesmo aquelas que expressamos silenciosamente, com os punhos cerrados.


Assim como os viajantes de Emaús demonstraram a sua decepção, é importante para nós expressar a Cristo como nos sentimos com relação ao dano para começarmos a ver, com os olhos dele, o que precisa de perdão.


Cristo não somente escutou os sentimentos dos viajantes mas também respondeu às suas necessidades. Quando deixamos que Cristo responda ao que está faltando numa lembrança dolorosa, permitimos que continue o processo da cura.


O espírito do mal freqüentemente nos tenta a negar todos esses sentimentos como o ódio, a mágoa, e a ansiedade ou a mencioná-los apenas brevemente antes de pedir a resposta de Cristo. Jesus quer nos dar todo o tempo necessário para que entremos em contato com esses sentimentos antes de nos responder.


O ódio e os sentimentos semelhantes não são nem bons nem maus. Tudo depende do que fazemos com esses sentimentos, se permitimos a eles que nos abram ou nos fechem.


Quando entramos em contato com o nosso ódio e sentimentos de autodestruição, a possibilidade de cura aumenta porque podemos, partindo de zero, ver se esta ou aquela situação causa esses sentimentos e pedir para que essa lembrança dolorosa seja curada. Uma vez que venham à tona, o ódio e outros sentimentos podem ser oferecidos a Cristo em troca dos seus sentimentos.


Jesus sempre expressou ao Pai, em orações, os sentimentos mais íntimos:


· No Getsêmani - Mc 14,35


· Na hora da morte - Mc 15,34


· O bom ladrão - Lc 23,39


Além de explicar a situação e os seus sentimentos, os discípulos de Emaús, falaram a Cristo das conseqüências: a morte de Jesus de Nazaré esvaziou as suas esperanças de que o Grande Profeta libertaria Israel (Lc 24,21).


Também admitimos a Cristo as conseqüências que essa lembrança dolorosa trouxe não apenas para nós mas também para os outros.


Como cristãos somos chamados não apenas para partilhar a lembrança com Cristo, mas também para perdoar, como ele perdoa, mesmo quando nos defrontamos com o nosso inimigo. Quando os homens escutaram Cristo explicar a Sagrada Escritura puderam perdoar como ele perdoava.


Cristo nos conduz para além da mera aceitação das pessoas levando-nos a amá-las, de verdade, como ele as ama.



DINÂMICA: Fazer o quadrado da cura das lembranças:


· Escrever cinco nomes de pessoas que lhe magoaram (pense em quem você teme, evita, critica de modo áspero etc.).


· Faça um circulo em volta do nome dessas pessoas que não estão próximas de você, agora. Escolha uma delas e diga a Cristo como você se sente em relação a ela. Seja honesto e revele tudo.



Bibliografia: Livro, "A cura das lembranças..." Editora: Paulinas Autores: Dennis e Matthew Linn

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