segunda-feira, 19 de maio de 2008

A REALIDADE DAS TENTAÇÕES

1 - Na raiz da Vida Cristã


A nossa caminhada é uma progressiva união e crescimento em Jesus (cf. Ef 4,15).


O Batismo é o que nos eleva ao estado de filhos, onde Deus Pai nos ama no seu Filho, para que Ele seja o primogênito entre muitos irmâos (cf.Rm 8,27-28). É o Espírito Santo que vem clamar em nós: Abba, Pai!


Entramos em comunhão com o Pai pelo Filho, encerrando-nos nele com o poder do Espírito. Recebemos o Espírito Santo enviado pelo Pai, mediante a súlica do Filho que intercede (cf.Jo 14,16).


A vida cristã deve servir para realizar a vida trinitária, satisfazendo as exigências que brotam o Batismo. Trata-se de viver uma vida de obediência e amor ao Pai, uma relação pessoal com o Filho que nos une ao Espírito Santo; para podermos viver a docilidade das iluminações e moçôes do Espírito, cuja função primordial é conduzir-nos à "plenitude do Filho".


Pare por um instante e agradeça ao Senhor pelo seu Batismo, por seus padrinhos, o padre que lhe batizou, a capela, por aquela água, aquele óleo. Deixe que o Espírito Santo suscite no teu interior um momento muito forte de louvor.


2 - A Tentação na vida cristã


Toda a Escritura descreve a vida do homem como sendo uma luta, devido ao pecado, a reprodução da vida da trindade em nós pode ser um fracasso. Não poderemos vencer se não for pela ajuda do Espírito Santo.


Paulo e João nos falam com insistênciao que é este viver cristão, que oscila entre a tentação e a paz, a felicidade e o sofrimento pelo Reino de Deus. Mais aquele que segue Jesus sempre se vê animado pela esperança, quer não desilude, da ajuda divina pedida com humildade mediante a oração (cf. 1Jo 2,15-17; 4,4-6; 5,4-5; 1Cor 9,24-27; 1Tm 6,12; 2Tm 4,7-8).


Esta bela caminhada cristã nos mostra que no caminho existe muitos perigos que estão expostos, e que podemos perecer ou crescer. Mas isso não pode nos levar ao desânimo, e sim a uma humilde e filial confiança no Senhor, cuja ajuda nos é prometida. Com esta força devemos cooperar, mediante um esforço comprometido.


Não é, uma insuficiência desastrosa que paira sobre nós. Possuímos uma capacidade indiscutível para superar a tríplice força que nos opõe em nossa caminhada em direção a Cristo (cf. Rm 7,24-25; Jo 16,33; Mt 12,29). Uma prova muito real disso é que o Espírito Santo roga ao Pai por nós, e em nós (cf. Rm 8,12-27). Mesmo a nossa consciência não estando ainda renovada, no fundo de nossa alma, vivemos na paz serena, por nos sentirmos protegido e capaz de superar todos os perigos. Para nós, a salvação, o crescimento em Cristo, a existência segunda a vida trinitária, é objeto de esperança (cf. Rm 8,24).


O Concílio Vaticano II nos diz: "A vida cristã, vai se desenvolvendo progressivamente em meio a tentações e tribulações; tem necessidade de renovar-se continuamente com a ajuda da graça de Deus. Essa, aliás, nunca falta ao cristão. Mais ainda, todos e cada um somos chamados à perfeição e, para isso, contamos com a ajuda misericordiosa e abundante do Pai, em Cristo, pelo Espírito Santo".


Portanto, sendo nossa condição terrena imperfeita, somos, não obstante, convidados a nos aperfeiçoar em Cristo Jesus, rumo à perfeição escatológica ou definitiva na outra vida, no mesmo Jesus Cristo.


Pare mais uma e ore em relação às tentações que você tem sofrido. Peça a graça do Espírito Santo.


3 - A Tentação de Jesus


O inimigo sempre esta buscando estratégias em suas tentações, para nos impedir de realizar a obra do Senhor.


Essa foi à tática que o inimigo usou contra Jesus. As tentações que Ele sofreu durante o jejum, aparecem marcadas com características "a partir do bem" (cf. Mt 4,1-11). O inimigo tenta Jesus no seu íntimo, para afastá-lo da missão de salvar o homem. Afastá-lo, da vontade de Deus. Satanás se esforça para separar Jesus da intimidade com Deus, como na origem do mundo, a obra de Deus poderá ser destruída por uma escolha que não tem o apoio divino.


As tentações de Jesus "nascem de sua condição de servo". São dirigidas sutilmente ao centro de sua confiança incondicional ao Pai. Satanás pretende "abrir os olhos" de Jesus, como a Adão, para que veja o inconveniente que é sua maneira de atuar com os homens e, assim, se afaste do Pai, constituindo-se em Messias, por conta própria e de uma maneira independente. Satanás se fecha no mesmo círculo que o perdeu: a soberba, a auto-suficiência até o desprezo de Deus; construir seu mundo à parte, por si e para si.


A lição que Jesus nos deixa é prática: não é Deus que tenta, mas permite situações nas quais sejamos realmente provados.


A tentação de Cristo resulta tão cruel e perigosa, que Ele quer que oremos para que a Igreja e os cristãos sejam preservados de semelhantes situações.


O cristianismo tem como atributo: reproduzir em si a imagem do Primogênito dentre muitos irmãos, Cristo Jesus (cf. Rm 8,27-29).


A partir disso tudo que vimos, precisamos vê a tentação na sua essência, partindo do fato de que nós, como seres deficientes, estamos destinados a uma perfeição que nos transcende. O impulso a perfeição pessoal, moral é sua orientação em direção ao próximo e a Deus. Tal impulso ou tendência só se realiza na medida da abertura à transcendência, ao mistério de Deus experimentado, porém incompreensível.


Aqui começa nosso drama. Pelo perigo real de não realizar nosso grande destino e porque a perfeição, a que dissemos estar destinados, se realizará muitas vezes na dor, ainda que dela, como na morte de Cristo, surja pujante a glorificação.


A tentação de Cristo serve-nos como modelo. Isso quer dizer, assim como o Pai permitiu que seu Filho fosse tentado com sutileza e dureza, permitirá circunstâncias nas quais seremos uma presa cobiçada pelos ataques do mal. Diz um teólogo: "Está acontecendo algo de importante: é como que um despertar do Espírito. A necessidade de discernimento é urgente; precisamos perceber que as forças do mal intervêm mais fortemente, quando algo de importante se produz".


Como membros de uma Fraternidade, grupo de oração, devemos recordar uma verdade que, vivida e experimentada na própria carne, é necessário repetir: o mal está enraizado profundamente em nós. Os impulsos espontâneos do homem enquanto "carnal", ou seja, não animado pelo Espírito, estão potencialmente em nós e dispostos a nos assaltar a qualquer momento. Mesmo estando enxertados em Cristo, temos de seguir lutando continuamente para manter nossa liberdade autêntica (cf. Rm 6,12; Cl 3,5). A tentação dos impulsos para o bem e para o mal põe-nos em uma situação infeliz, da qual só Cristo o pode libertar (cf.Rm 7).


O consagrado - você - que se entrega com seriedade ao Senhor, para fazer dele o centro de toda a sua vida, e se responsabilizou com uma missão tão importante na Igreja, se verá exposto a uma perseguição acirrada do inimigo de Jesus. Devido a seu comportamento de consagrado, que aspira a viver seu batismo, e pelo bem que o Senhor pode fazer aos demais por seu intermédio, você se transforma em alvo "apetitoso" para Satanás. Deus, em seu desígnios de salvação, permitirá que seja tentado.


O maligno pretenderá afastá-lo do Senhor, tornar infrutruosa a sua obra e levá-lo o mais longe possível. As tentações virão de diversas partes: de nós mesmos, em nossa condição carnal de homens não dominados pelo Espírito; do inimigo de Deus que também joga seu influxo sobre nós.


Não temos como escapar dessa realidade. Teremos que percorrer o mesmo caminho de Cristo. Mas também, como o Senhor, conta com a força do Espírito de Jesus. Não há motivo para perturbação. Há um poder e um amor que o Pai Celestial pôs à sua disposição na pessoa do Espírito Santo. É preciso confiar e aprender utilizar o que está sempre ao seu alcance.


Assim como Jesus venceu o maligno você também pode. Ore agora em cima de tudo que você leu e anote o que o Espírito lhe revelar.


Faça deste texto a sua oração pessoal da semana, e a cada dia anote sobre o que o Senhor fala em teu coração.

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