quarta-feira, 19 de maio de 2010

A SENHORA DO SILÊNCIO


A vida de Maria, nos leva a uma reflexão profunda, nos conduzindo a um novo caminho transformado e cheio de fervor. Elisabete da Trindade, carmelita descalça, coloca em seu diário muitas referências a Maria, concluindo que "a atitude da Santíssima Virgem durante os meses decorridos entre a Anunciação e a Natividade é o modelo das almas interiores, das criaturas escolhidas por Deus para viverem dentro, no fundo do abismo insondável. Com que paz, com que recolhimento, Maria se entregava a todas as ocupações! Como as ações mais banais eram por ela divinizada! Porque em tudo a Virgem continuava a ser adoradora do dom de Deus"

É verdade, se há alguém em quem precisamos nos mirar, este alguém é Maria, a Virgem Fiel. "que guardava tudo no seu coração" (Lc 2,19).

Nada a impede, apesar de ser portadora de Jesus no santuário de sua alma, o tabernáculo do Verbo Encarnado, o seu primeiro Sacrário, de entregar-se ao trabalho dos irmãos, como vemos na sua visita à prima Isabel, após percorrer as montanhas da Judéia.

Continua Elisabete da Trindade: "Jamais a visão inefável que contemplava em si diminuiu sua caridade exterior, porque diz Ruybroec, se a contemplação conduz ao louvor e à eternidade do Senhor, ela possui a unidade e não a perderá".

Quandos ensinamentos vamos recebendo, ao meditar sobre estas sábias palavras!

"Pensamos nós suficientemente no que se devia passar na alma da Santíssima Virgem quando, após a encarnação, possuía em si o Verbo Encarnado, o Dom de Deus? Com que silêncio, recolhimento, adoração, devia ela sepultar-se no fundo da própria alma para estreitar esse Deus de quem era mâe!"

"Nenhum esforço me é preciso para entrar no mistério da inabitação divina em Maria. Parece que encontro aí o ideal permanente da minha alma, que foi também o seu: adorar em mim o Deus escondido".


A Santíssima Trindade "nela opera grandes coisas" (Lc 1,49) e seu firme "sim", o seu "Fiat" voluntário, nos ensina e encoraja a prosseguir.

Olhando para Maria, inspirando-nos em sua vida, sabendo de sua intercessão, conseguimos repetir suas palavras no nosso dia-a-dia: "Eis aqui a serva do Senhor" (Lc 1,38).

Caminhar nas pegadas da Mãe, a doce figura consagrada ao Senhor, é nosso desejo. Com sua proteção materna, andaremos em segurança.

Pedimos sua bênção, Mãezinha. Dai-nos coragem, ensina-nos o abandono e a entrega. Queremos também ser cheios do Espírito Santo.

Seu conselho precioso, feito com carinho e sabedoria, nos invade o coração: "Fazei tudo o que ele vos disser" (Jo 2,5).

Não podemos negar-lhe este pedido, para ter uma vida renovada e amadurecida. Ao seu lado aprendemos a ficar de pé junto à cruz, sem desmaiar, sem vacilar. Sua força naquele momento doloroso nos impressiona, e as palavras de Jesus, "Eis aí tua Mãe" (Jo 19,27), nos animam a sempre colocá-lo como rainha e mãe, no centro do nosso lar e coração.

Sua maternidade espiritual alcança toda a humanidade e, sendo assim, ninguém precisa se queixar de solidão ou orfandate. Presente maravilhoso nos deixava Jesus em sua última vontade! Com ternura filial, pedimos como São Bernado:

"Ó Maria, sois a estrela resplendente...
Se se levantam os ventos das tentações, e se me firo na dureza das tribulações, olho para a estrela e te invoco, ó Maria.
Se sou impelido pelas ondas da soberba, da ambição, da calúnia, da inveja, olho para a estrela e te invoco, ó Maria.
Se a ira, a avareza, a concupiscência da carne sacodem a barquinha do meu espírito, olho-te, Maria.
Seguindo teus exemplos, não me abaterei! Invocando-te, não perderei a esperança. Se pensar em ti, não cairei no erro. Apoiado em ti, não resvalarei. Com tua proteção, de nada terei medo. Com tua proteção, de nada terei medo. Com tua guia, não me cansarei. Pelo teu beneplácido, chegarei ao termo, e, assim, experimentarei em mim o que significa o teu nome, ó Maria."

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