domingo, 6 de junho de 2010

PERDÃO... Parte III

Quem é que mais perdoa?


Há um ditado que diz: Deus perdoa sempre; o homem - de vez em quando; e a natureza não perdoa nunca!


Quer dizer: se você abusou de alguma das leis da natureza, ela vai te "cobrar" isso: se você deixou a torneira aberta - a água vai escorrer; se jogou um fósforo aceso em algum material inflamável - o incêndio vai explodir na hora; se não cultivou as plantas devidamente - não vai colher as frutas que desejaria etc., etc... A natureza não tem liberdade de reagir de maneira diferente.


O homem tem liberdade de perdoar ou não perdoar; quando tem consciência esclarecida e bem motivada, é capaz até de heroísmo.


Deus, sendo perfeito, está disposto a perdoar sempre que solicitado. O perdão divino sempre é o mais generoso, mais completo e mais enriquecedor.


Jesus usou muitas maneiras e expressões para convencer a todos da imensidão da misericórdia do Pai. Entre elas, no contexto deste capítulo, encontra-se uma parábola bem significativa (cf. Mt18,23-34).


De que trata a referida parábola?


A parábola é assim: um rei resolveu ajustar as contas com seus servos devedores. E logo foi-lhe apresentado um fulano que estava devendo dez mil talentos!


Uma observação à parte: dez mil talentos eqüivaliam a 350 toneladas de ouro ou prata. Tratava-se, então, de uma fortuna quase incalculável.


Aquele servo não tinhas as mínimas condições para saldá-la. O rei mandou, então, vender o fulano, sua mulher, seus filhos e todos os bens que ele possuía, apra restituir, assim, pelo menos alguma parte daquela dívida.


O fulano, apertado, prostou-se diante do monarca e pediu apenas um prazo razoável para poder pagar tudo.


O rei, por sua vez, num gesto soberano e generoso, desistiu de qualquer cobrança; perdoou-lhe tudo. Que alívio inesperado!!!


Mas, ato contínuo, aquele fulano recém-indulgenciado, na saída encontrou um companheiro que lhe estava devendo uma importância irrisória de cem denários. Exigiu então que lhe pagasse aquela dívida logo! O surpreendido suplicou que lhe fosse concedido apenas um prazo. Mas o outro não lhe deu ouvido. Lançou, impiedosamente, o devedor na prisão até que lhe pagasse aquele dinheirinho.


O assunto chegou novamente ao rei, que ficou extremamente indignado com a atitude absurda do fulano. Chamou-o, cancelou a indulgência e o obrigou a pagar, sem descontos, toda aquela dívida enorme!


O arremate de Jesus é o seguinte: "Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo o seu coração" (Mt 18,35).


Autor: Dom Frei Agostinho Januszewicz - Revista Cavaleiro da Imaculada, ano 18, nº 4, Maio de 1996.

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