sábado, 22 de dezembro de 2012

ENCHE COM A GRAÇA DO CÉU OS CORAÇÕES QUE CRIASTES

No Novo Testamento encontramos três verbos que vão exprimir a vinda do Espírito Santo em nós:

     a)    Ser batizados no Espírito Santo
     b)   Ser revestidos do Espírito Santo
     c)    Ser ou estar cheios do Espírito Santo

Mas, o estar cheios é o mais utilizado frequentemente. A Palavra vai dizer que: “Jesus cheio do Espírito Santo, se afastou do Rio Jordão (Lc 4,1); que estavam cheios do Espírito Santo João Batista, Isabel e Estêvão”. Mas, é em Pentecostes que se diz: “Ficaram todos cheios do Espírito Santo” (At 2,4).

A palavra “graça” indica aqui, a própria pessoa do Espírito Santo. Aquela graça que pedimos ao Espírito Santo é que nos encha dele mesmo, não de um dom seu qualquer. Dizia Santo Ambrósio: se derrame e encha dele mesmo o coração. A graça é, com efeito, o ponto de encontro entre a obra de Cristo e a do Espírito: o primeiro é o autor (Jesus) da graça; o segundo, por assim dizer, o conteúdo(Espírito Santo).

Quando pedimos ao Senhor que se derrame as suas graças em nós, nada mais é que: se realize para nós uma nova efusão do Espírito, um novo Pentecostes.

O Espírito Santo e o regresso das criaturas a Deus

Com o pecado, o homem transformou a “saída” das criaturas de Deus, isto é, a criação, em um “afastamento” de Deus. Eis por que o movimento de “regresso” das criaturas a Deus não se pode realizar, doravante, a não ser sob a forma de “conversão” a Deus.

Como o homem transformou a saída de Deus em um voltar as costas para Deus, agora deve transformar o simples regresso a Deus em uma conversão para Deus. E é neste processo de conversão que o Espírito vai agora aparecer em ação.

São Basílio: No que se refere ao plano de salvação para o homem por obra do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo (cf. Tt 2,13), estabelecido segundo a bondade de Deus, quem poderia contestar que Ele se realiza por meio da graça do Espírito Santo?

O Espírito Santo esta operando primeiro na criação e, depois, na redenção; sincronicamente, isto é, do ponto de vista do espaço, Ele opera tanto no âmbito do mundo como no da Igreja.

Com a primeira criação, somos criaturas de Deus; com a segunda criação, somos também filhos de Deus. A nova criação, é simplesmente o novo nascimento “do alto”, ou “do Espírito”, de que fala Jesus a Nicodemos (cf. Jo 3,3.5). Santo Agostinho diz: com a primeira criação somos “humanos”, com a segunda, “cristãos”.

O Espírito Santo está operando tanto na ordem da natureza como na ordem da graça. Diz Boaventura: Ambas as obras são irrigadas pelo poder do Espírito Santo: as obras da criação são por Ele conservadas; as obras da redenção, aperfeiçoadas.

O que trouxe de novo o Espírito em Pentecostes?

Diante da frase acima citada – enche com a graça... – podemos dizer ao Espírito: Tu, que és o princípio da nossa criação, sê também o artífice da nossa santificação. Para nos santificarmos é necessário a graça, por isso dizemos que: A graça não destrói com efeito a natureza, mas a “supõe” e constrói em cima dela. Isto inclusive depois do pecado, pois este deixou a natureza “ferida”, mas não totalmente corrompida. A nova criação é uma restauração, uma renovação, uma elevação.

O Espírito Santo “enche de graça divina” os corações que Ele mesmo, não outra pessoa, criou.

Que novo é esse que Ele trás: Trouxe toda novidade trazendo-se a si mesmo. Aquele que antes vinha de maneira parcial aos profetas, agora, em Cristo, reside de modo estável e pessoal entre nós.

Enquanto o Verbo não estava em nosso meio, o Espírito tão pouco poderia estar; antes que o Espírito descesse e permanecesse em Jesus (cf. Jo 1,33), não poderia descer e permanecer em nós. Podemos assim afirmar que: antes de Pentecostes o Espírito estava presente no mundo com o seu poder e os seus dons, enquanto a partir de Pentecostes Ele está presente hipostaticamente com a própria Pessoa.

O Batismo do Espírito

O chamado “Batismo no Espírito”, é a graça própria de todo este imenso despertar espiritual. Trata-se de um rito feito de gestos de grande “simplicidade”, acompanhados de atitudes de “humildade”, “arrependimento”, disponibilidade” a tornar-se de novo criança para entrar no Reino.

É uma renovação e atualização de toda a iniciação cristã, não somente do Batismo. O interessado se prepara para esse encontro, tomando parte em encontros de catequese, nos quais se põe de novo em contato vivo e alegre com as principais verdades e realidades da fé cristã:


     ·       O amor de Deus
     ·       O pecado
     ·       A salvação
     ·       A nova vida
     ·       A transformação em Cristo
     ·       Os carismas
     ·       Os frutos do Espírito


O efeito mais comum desta graça é que o Espírito Santo, de simples objeto de fé intelectual, mais ou menos abstrato, se torna um fato de experiência. E toda essa ação realiza em nós:


     ·       Unção na oração
     ·       Poder no ministério apostólico
     ·       Consolação nas provações
     ·       Luz nas opções de vida...


O Espírito Santo é percebido como Espírito que transforma interiormente a pessoa, dá o gosto do louvor de Deus, faz descobrir uma alegria nova, abre a mente à compreensão das Escrituras e, sobretudo ensina a proclamar “Jesus é o Senhor”. Ou dá a coragem para se assumir compromissos novos e difíceis, a serviço de Deus e do próximo.

Há uma nova missão do Espírito Santo, e portanto uma nova vinda sua, sempre que, na vida espiritual ou no próprio ministério, alguém se encontra diante de uma nova necessidade ou de novo encargo a exercer, que exijam um novo nível de graça.

Vem, visita, enche!

O que é necessário para que possamos fazer, nós também, esta experiência pentecostal?

Em primeiro lugar – pedir com insistência o Espírito Santo ao Pai, em nome de Jesus;
Em segundo lugar – aguardar que o Pai responda! Precisa-se ter uma fé que seja plena de expectativa.

Diz São Boaventura: Vem onde é amado, onde é convidado, onde é esperado.

Na oração é preciso ser também “unânimes e perseverantes”, como os apóstolos com Maria no Cenáculo, unindo-se sempre que possível, a outras pessoas que já fizeram a experiência de um novo Pentecostes e que nos podem ajudar a nos predispormos e a vencermos todo o temor.
Devemos estar prontos a que alguma coisa mude em nossa própria vida. 
Não se pode convidar o Espírito Santo a vir, a encher-nos, contanto que Ele deixe tudo como antes. “Aquilo que o Espírito toca, o Espírito muda”. Quem gritar: “Vem, visita, enche!”, por esse mesmo fato se entrega ao Espírito, entrega-lhe as rédeas da própria vida ou as chaves da própria casa.

Não podemos repetir: “Vem, visita, enche!”, deixando ao mesmo tempo que uma vozinha secreta – a da carne – acrescente baixinho: “Mas, por favor, nada de coisas estranhas, nada de exageros!” Os apóstolos não tivera medo de ser confundidos com gente bêbada.

Se o poder do Espírito provoca em nós risos, choro ou reações descompostas de outro tipo no corpo, não é o Espírito, que provoca diretamente estas manifestações; é a “carne” que, às vezes, não está preparada para o impacto e reage como faria a água fria em contacto com um ferro em brasa.


Que o Espírito Santo possa derramar muitas bençãos em sua vida.

Marcos Ágape

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