quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

OS MOTIVOS DA ENCARNAÇÃO


Este texto foi de uma pregação que realizei numa vigília da JMJ de Salvador-Ba, no dia 14/12/2012.
São "Quatro" motivos que O Verbo se encarnou, e neste Natal devemos justamente procurar viver, experimentar esses quatros pontos. Espero que possa ajudar em sua caminhada de amor a Jesus Cristo.
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1º O Logos se encarnou para “salvar-nos reconciliando-nos com Deus”
·         Foi Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados – 1Jo 4,10
·         O Pai enviou seu Filho como o Salvador do mundo – 1Jo 4,14
·         Este apareceu para tirar os pecados – 1Jo 3,5
·         Palavras de São Gregório: “Doente, nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada. Havíamos perdido a posse do bem, era preciso no-la restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso trazer à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador. Essas razões eram sem importância? Não eram tais que comoveriam a Deus a ponto de fazê-lo descer até à nossa natureza humana para visitá-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um estado tão miserável e tão infeliz?
Explicação:
O homem em relação a Deus é ofensor, devedor, culpado.
Como por si mesmo não pode reconciliar-se, compete a Deus reconciliá-lo consigo; ele o faz por meio de Cristo, que carrega as culpas dos outros (Is 53) para que lhes sejam perdoadas. Só assim o homem perdoado volta a ser inocente. A reconciliação é radical, equivale a uma nova “criação” – Ó Deus, cria em mim um coração puro, renova um espírito firme no meu peito (Sl 51,12).
Ela é oferecida e comunicada pela mensagem apostólica, “ministério da reconciliação”. O homem simplesmente “se deixa” reconciliar, responde à oferta removendo obstáculos e aceitando.
Deus realiza a reconciliação não apontando ou não imputando os delitos – Feliz aquele cuja ofensa é absolvida, cujo pecado é coberto. Feliz o homem a quem Iahweh não atribui iniquidade, e em cujo espírito não há fraude (Sl 32,1-2).

2º O Logos se encarnou para que assim conhecêssemos o “amor de Deus”

·         Nisto se manifestou no amor de Deus por nós: Deus enviou seu Filho Único ao mundo para que vivamos por Ele – 1Jo 4,9
·         Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Único, a fim de que todo o que crer nele não pereça, mas tenha a Vida Eterna – Jo 3,16
·         Deus é amor, repete São João (1Jo 4,8.16). O próprio ser de Deus é amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, seu Filho Único e o Espírito de Amor, Deus revela o seu segredo mais íntimo: Ele mesmo é eternamente intercâmbio de amor – Pai, Filho e Espírito Santo – , e destinou-nos a participar dessa permutação.
Explicação:
O ponto principal da Bíblia é o Amor de Deus.
O amor de Deus é uma realidade única. Esse amor se revelou a nós concretamente numa sucessão de gestos, de manifestações que nós chamamos “história de salvação”. Nós podemos reconstruir como se processou o amor de Deus por nós.
1ª Etapa: nos transporta para antes do tempo e da história, na mesma eternidade de Deus. A Palavra diz: Deus é amor (1Jo 4,8). É o amor em si mesmo, antes de a criatura tomar consciência disso. Deus só tem que amar a si mesmo. Deus, embora sendo único, não é solitário. Tem consigo, seu Filho, sua imagem perfeita que ama e por quem é amado com um amor tão forte que chega a constituir uma terceira pessoa, o Espírito Santo. Esse amor que não é criado.
Mas nós, não estávamos ausentes, estávamos já contidos e contemplados em seu coração como criaturas ainda ocultas no seio e no pensamento de quem as gerou, e se espera que venham à luz.
2ª Etapa: é a criação, que é a revelação deste amor oculto. É um gesto fundamental do amor de Deus pelas criaturas, aquele que lhe confere o ser e as faz existir. Podemos compará-lo ao amor de duas criaturas no ato que geram uma nova vida.
A criação é um ato de amor. Deus cria para derramar seu amor sobre todas as criaturas porque o bem, tem necessidade de se expandir, de se manifestar. Não bastava a Deus amar a si mesmo; queria amar e ser amado por alguém que estivesse fora de si e para o qual o amor tomasse uma nova modalidade: ser livre e gratuito.
Deus deu a alguns homens (Isaías, Jeremias, Oseias) um coração grande, cheio de capacidades, sensível a toda espécie de amor, para que revelassem aos homens algo de seu insondável amor. É um amor eterno, indefectível (Jr 31,3 – que não falha, que não se destrói, imperecível). É um amor que “comove as entranhas”(Jr 31,20). É um amor ciumento que não tolera rivais (cf. Dt 4,24).
O que difere o nosso amor do de Deus é que ele é gratuito. Já que todo amor humano, é na realidade, egoístico e tem um aspecto de procura de si mesmo. O homem, realiza-se amando, encontra no amor sua felicidade; Deus, amando, não se realiza, mas realiza.
3ª Etapa: abrange todas as anteriores. Essa terceira etapa do amor, chama-se “Jesus Cristo”. Jesus é o amor de Deus feito carne: ele é a manifestação tangível do amor do Pai – Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele 1Jo 4,9.
Jesus nos amou com um amor divino e humano, porque era Deus e homem – Como o Pai me ama, assim também eu vos amo (Jo 15,9); vós sois meus amigos (Jo 15,14); conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento (Ef 3,19).
Em Jesus, o amor de Deus se adequou à nossa condição humana, que tem necessidade de ver, de sentir, de tocar, de dialogar. Diante disso vamos descobrindo como Deus ama! O amor de Jesus pelos homens é forte, viril, terno, constante, até a prova suprema da vida – Porque ninguém tem amor maior do que quem dá a vida pela pessoa amada (Jo 5,13). Jesus com o seu amor, muda, faz renascer, liberta.
4ª Etapa: do amor de Deus, que se estende até os dias de hoje, chama-se Espírito Santo. O amor de Deus que se manifestou em Cristo Jesus permanece entre os homens e vivifica a Igreja através do Espírito Santo.
Mas, afinal o que é, o Espírito Santo? É o amor recíproco entre Pai e Filho que, depois da ressurreição, se difundiu sobre os crentes, como perfume que jorra do vaso de alabasto quebrado e enche a casa – o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5); nisso é que conhecemos que estamos nele e ele em nós, por ele nos ter dado o seu Espírito (1Jo 4,13).
Sem o dom do Espírito Santo, a “grande prova de amor” de Deus que foi Jesus Cristo teria ficado uma lembrança histórica sempre mais apagada, com o passar dos séculos. Ele faz daquele amor uma realidade atual, de hoje, de sempre.
O Espírito de amor, é chamado também “coração novo”, o “coração de carne”, porque sua presença nos torna não só amados, mas também capazes de amar – amar de modo novo a Deus e aos irmãos. Ele é agora aquele que realiza a impossível fidelidade do homem; tendo-o presente, com efeito, o crente pode observar os mandamentos, pode “corresponder” ao amor de Deus, o que não era possível antes de Cristo.
3º O Logos se encarnou para ser “nosso modelo de santidade”
·         Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim... – Mt 11,29
·         Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim – Jo 14,6
·         E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: Ouvi-o – Mc 9,7
·         Pois Ele é o modelo das Bem-aventuranças e a norma da Nova Lei: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei – Jo 15,12
·         Esse amor implica a oferta efetiva de si mesmo no seu seguimento
Explicação:
Mt 11,29 – O “Jugo”. Não só os animais, também os homens carregam o jugo como sinal e exercício de escravidão. Era um jugo curvo de madeira, apoiado com almofadas sobre os ombros, que servia para transportar cargas equilibradas. Esse jugo pode ser: à lei, à tirania estrangeira e também à sabedoria.
A escravidão no Egito se definia pelas “cargas” (Ex 6,6). O jugo que Jesus impõe, aceito com amor e levado com sua ajuda, é leve, particularmente se comparado com as cargas dos fariseus (Mt 23,4).
Jesus reivindica uma atitude religiosa, para arrogar sobre si a autoridade para ser o nosso mestre de sabedoria (Mt 11,29).
Jo 14,16 – Jesus não é guia, mas caminho; como é escada até o céu (1,51), como é porta de entrada (10,7). Por ele vem a verdade da revelação e a vida que é seu resultado; por ele transitamos rumo ao Pai. É um caminho autêntico (verdadeiro) e vital, é verdade e vida em caminho.
4º O Logos se encarnou para “tornar-nos participantes da natureza divina”
2Pd 1,4
A participação na vida divina corresponde à filiação.
De escravos feitos livres pela adoção (Gl 4,5-7), portanto livres, co-herdeiros, com direito à imortalidade; chamamos Deus de Abba e somos realmente filhos de Deus (1Jo 3,1-3), irmãos de Jesus primogênito e participantes da natureza divina (2Pd 1,4); nascidos pela fé (Jo 1,12-13) e pelo batismo (Gl 3,26-27).
Por ela o homem consegue superar a “corrupção” ou mortalidade, que pela “concupiscência” domina o mundo.
Obs.: Aguardo o seu comentário...

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