sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PASSE ADIANTE!


Lá estava eu com minha família, em férias, num acampamento isolado e com carro enguiçado. Isso aconteceu há 5 anos, mas lembro-me como se fosse ontem. Tentei dar a partida no carro.
Nada...
Caminhei para fora do acampamento e, felizmente, meus palavrões foram abafados pelo barulho do riacho. Minha mulher e eu concluímos que éramos vítimas de uma bateria arriada. Sem alternativa, decidi voltar a pé até a vila mais próxima e procurar ajuda. Depois de uma hora e um tornozelo torcido, cheguei finalmente a um posto de gasolina. Ao me aproximar do posto, lembrei que era domingo e, é claro, o lugar estava fechado.
Por sorte havia um telefone público e uma lista telefônica já com as folhas em frangalhos. Consegui ligar para a única companhia de auto-socorro que encontrei na lista, localizada a cerca de 30km dali.
– Não tem problema – disse a pessoa do outro lado da linha – normalmente estou fechado aos domingos, mas posso chegar ai em mais ou menos meia hora.
Fiquei aliviado, mas ao mesmo tempo consciente das implicações financeiras que essa oferta de ajuda me causaria. Logo seguíamos, eu e o Zé, no seu reluzente caminhão guincho em direção ao acampamento. Quando sai do caminhão, observei com espanto o Zé descer com aparelhos na perna e com a ajuda de muletas para se locomover.
Santo Deus! Ele era paraplégico!
Enquanto se movimentava, comecei novamente minha ginástica mental para calcular o preço da sua ajuda.
– É só uma bateria descarregada, uma pequena carga elétrica e vocês poderão seguir viagem – disse-me ele.
O homem era impressionante, enquanto a bateria carregava, distraiu meu filho com truques de mágica e chegou a tirar uma moeda da orelha, presenteando o garoto. Enquanto colocava os cabos de volta no caminhão, perguntei quanto lhe devia.
– Oh! Nada! – respondeu, para minha surpresa.
– Tenho que lhe pagar alguma coisa, eu insisto.
– Não – reiterou ele – há muitos anos atrás, alguém me ajudou a sair de uma situação muito pior, quando perdi as minhas pernas, e o sujeito que me socorreu simplesmente me disse: “Quando tiver uma oportunidade, passe isso adiante.”
– Eis minha chance. Você não me deve nada! Apenas lembre-se: Quando tiver uma oportunidade semelhante, faça o mesmo.

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