domingo, 21 de abril de 2013

RESSURGIR


Se Jesus Cristo ressuscitou, também nós ressuscitaremos! Uma vez mais, uma esperança realizada fez nascer outra maior. A ressurreição de Cristo é “as primícias” que anunciam a do corpo inteiro.
A ressurreição, para quem crê, já começou nesta vida. Seríamos dignos de compaixão também se esperássemos nele somente na outra vida! Seríamos realmente infelizes se sua Ressurreição não nos ajudasse desde agora, nesta tumultuada existência terrena, a viver na alegria e a fazer que os irmãos vivam nela.
Há uma ressurreição do coração, além da corporal, que é do último dia, a do coração acontece cada dia. Ressurgir deve ser, ou tornar-se, o movimento mais familiar do cristão.
O que significa “Ressurgir”?
Para entendermos o que significa ressurgir, é preciso entendermos bem o que consiste a ressurreição de Jesus.
Texto: Jo 13,1
Esta passagem define implicitamente como uma passagem deste mundo ao Pai: passagem da vida deste mundo à vida do Pai. Em outras palavras, da vida “segundo a carne” à vida “segundo o Espírito” (Rm 1,3-4).
Ressuscitar não significou para Jesus aquilo que nós estamos acostumados a imaginar, isto é, destampar o túmulo e sair para fora liberando-se no ar. A explicação de tudo está no Espírito: o Espírito Santo entrou no corpo inanimado de Jesus, o vivificou e o arrastou para “seu” mundo, que é o mundo de Deus. Não se pode dizer que Jesus tornou a viver, porque não se trata da mesma vida de antes, ele começou antes a viver uma vida nova, precisamente uma vida “segundo o Espírito” que é a vida no poder de Deus, em sua glória e em sua liberdade.
Para nós ressuscitar significa, passar de uma vida “segundo a carne” para uma vida “segundo o Espírito”, com a fundamental diferença de que para nós a carne não indica só a passibilidade, o sofrimento, a limitação, as consequências do pecado, mas indica o pecado em sua verdadeira realidade.
Ressuscitar significa deixar o modo velho de viver e viver de uma forma nova, na novidade criada pela Páscoa de Cristo. Fazer a Páscoa significa passar da velhice para a infância, entendida não como idade, mas como simplicidade (cf. 1Pd 2,2).
A passagem ou renovação, da qual falamos, tem um aspecto objetivo que poderíamos chamar “a parte de Cristo”; esta se realiza nos “sacramentos”: a mesma vida nova do Ressuscitado nos é dada no Batismo e na Eucaristia (cf. Rm 6,3-5). Desta ação de Deus, absolutamente gratuita e anterior a qualquer esforço nosso, mediante as quais nós fomos agraciados com as primícias do Espírito (Rm 8,23) e começamos a viver como ressuscitados.
Deus sempre “faz a sua parte”; sua graça indefectível. Mas não basta. Faz-se necessário também “a nossa parte”, o “sim” da nossa liberdade, e este “sim” não é sincero e eficaz enquanto não se expressa na Cruz. Para fazer nossa parte na salvação, é necessário aceitar passar através da morte (cf. Rm 8,13).
Há uma vida que, na realidade, é morte e há uma morte, ou uma mortificação, que, na realidade, é vida. Ressuscitar significa passar através desta mortificação. Esta consiste em dizer “não” às exigências insaciáveis de nosso velho “eu”, sedento de prazer e de satisfação, que tendem a nos desviar da vontade de Deus.
A moral pascal que nasce da ressurreição de Cristo, consiste caminhar segundo o Espírito, caminhar na novidade de vida, caminhar na obediência a Deus. não se trata de uma moral abstrata ou individualista.
Aqueles que aspiram a ser homens espirituais e homens novos, devem ter uma caridade sem fingimento e primar pela estima recíproca (cf. Rm 12,11-13).

Nenhum comentário:

NOTÍCIAS DA IGREJA