terça-feira, 22 de abril de 2014

O AMOR NOS TORNA ETERNOS.


Pra inicio de conversa, leia Ct 8,6b “porque o amor é forte como a morte...” O amor tem um poder muito grande.
O amor é a prova do que só a imortalidade é capaz de realizar: existir em um outro, que continuará quando eu tiver desaparecido.
Na verdade só existimos por causa de outro. Não somos capazes de viver eternamente por nós mesmos, mas, mediante sua continuação em um outro.
Naturalmente, é preciso compreender que a nossa vida não se conserva sozinha, mas que se impõe estar nos outros, para permanecer nos vivos.
Quando amamos a tal ponto que marcamos a vida de muitas pessoas, vivemos sempre nas lembranças das pessoas, e aquele amor que transmitíamos vai viver por toda a eternidade, porque será passada de geração a geração. O verdadeiro amor é muito mais que lembrar, é fazer memoria.
Para ser mais forte do que a morte, o amor há de ser primeiramente mais do que a vida. A morte cria divisão, separa as pessoas, mas o amor une, nunca separa. Sempre estaremos vivos no coração daquele que ama. O amor ultrapassa o biológico, se torna espiritual e o que é espiritual é eterno.
O homem descobriu duas formas de manter-se eterno:
1ª Sobrevivendo na “prole”; quanto mais filho se tinha, mas estaria vivo na descendência. Estarei vivo nos meus filhos, e depois nos meus netos, nos meus bisnetos... Eles levarão o meu DNA, traços dos meus gens, do meu temperamento.
2ª Manter-se vivo na “memoria das pessoas” que nos ama. É claro que não seria um “EU” mas eco, uma sombra. Mas uma sombra que marcaria a vida de muitas pessoas.
Mas, essas duas possibilidades são falhas, porque essas pessoas que nos leva na memoria, um dia se vai. Mesmo que seja passado de geração a geração.
A grande solução é encontrar-se em Deus. Nele, existo de verdade, mais perto de mim do que tentando existir só por mim.
A “Ressurreição” de Jesus Cristo é a grande solução. No NT existe duas maneiras que se fala da Ressurreição: “Jesus ressurgiu” e “Deus (Pai) ressuscitou a Jesus”. As duas formulas mostra o amor de Jesus pela humanidade, que o levou a cruz, e ressuscita tornando-se, mais forte que a morte, porque o seu amor é imenso e eterno.
Podemos afirmar que o amor serve sempre de fundamento para alguma espécie de imortalidade; inclusive em suas gradações sub-humanas o amor aponta para esta direção, em forma de conservação das espécies. O amor nos torna imortal, essa é a sua natureza. A imortalidade sempre nasce do amor.
Amor fundamenta imortalidade e imortalidade nasce exclusivamente de amor. Esta constatação a que agora chegamos significa que aquele que amor por todos, também fundou imortalidade para todos. Amor fundamenta imortalidade e imortalidade nasce exclusivamente de amor.
O argumento de S. Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, tão estranho à nossa mentalidade, torna-se compreensível dentro desta perspectiva: se Cristo ressurgiu, também nós, pois neste caso o amor é mais forte do que a morte; se não ressurgiu, nós também não, porquanto a morte continua estando com a última palavra (cf. 1Cor 15,16 s).
Se o amor se tornou mais forte do que a morte, deve-o ao fato de ser amor pelos outros. Não esquecemos que “Deus é amor” (cf. 1Jo 4,8). Jesus Cristo ressuscitou por amor a cada um de nós que cremos. Ele ressurge por minha causa, por tua causa. Por amor a ti.
Ame e seja eterno. O amor é o fundamento da eternidade.
Cristo ressurgiu... Aleluia, aleluia, aleluia.
Reflexão baseado no livro: Introdução ao cristianismo – Joseph Ratzinger

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