domingo, 24 de agosto de 2014

QUEM É JESUS DE NAZARÉ?

Texto: Mt 16,13-20

Jesus faz uma interrogação para dois públicos diferentes: para o povo que esta fora do rebanho e para os que estão dentro.

No dizer do povo quem é o Filho do Homem? Quem diz que eu seja?

Esta primeira interrogação é para o povo, os homens, aqueles que estão de fora, aqueles que ouvem falar de Jesus, mas não aderem a ele. Ele necessita saber o que pensam dele os homens?

Existem três maneiras que hoje descrevem Jesus:

1 – Apenas “um homem”, tão somente um homem. É a humanização total de Cristo. Muitas pessoas continuam a perguntar: “Mas quem és tu, Jesus? És realmente aquilo que dizem que és? Tinhas previsto morrer desta forma: houve um erro ou houve alguma outra coisa?”

2 – Outra forma é vê Jesus como um “profeta”. Mas, como um político. Alguns marxistas que abandonaram os preconceitos anticristãos, ou, simplesmente, homens comprometidos com um mundo mais justo. O Jesus que rompeu os tabus e os medos, que deu uma consciência e uma voz aos marginalizados e oprimidos, preparando assim, de longe, sua vitória e sua libertação. O Jesus mártir político.

3 – Essa terceira visão é de muitos filósofos e teólogos. Onde alguns dizem que Jesus era uma pessoa que realizou completamente todas as possibilidades do homem e que pode, por isso, colocar-se como sentido e modelo da existência humana; alguém em quem Deus se tornou presente de uma maneira total e definitiva – ou seja, alguém que não é Deus, mas no qual Deus!

Mas, Jesus interroga também para nós que fazemos parte do seu grupo, dos batizados, aqueles que assumiram em sua vida o compromisso de levar a Boa Nova.

E vós, quem dizeis que eu sou? Ele espera de nós uma resposta diferente daquela do povo. Não interessa para Jesus saber o que a cultura diz dele; quer a nossa resposta, de nós que cremos nele e que nele colocamos nossa esperança.

Não pode ser uma resposta inventada, igual aquela que Pedro deu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo.” Nesta há, “em germe”, toda a cristologia.

A nossa Igreja sempre repete a si mesma esta fé: Jesus não é somente um homem, ou um profeta; é mais do que um profeta: é Deus conosco. Essa é a resposta de fé a pergunta: Quem é Jesus?

As respostas do povo vêm da terra, da carne e do sangue, a resposta de fé, vêm de cima do céu, do Pai das misericórdias.

É importante estarmos a cada momento alimentando a nossa fé. Pois, aquela resposta de fé acaba morrendo se não é continuamente renovada, revivida e, por assim dizer, transplantada de geração em geração, de cultura e cultura que se sucedem no cenário do mundo.

É importante que a interrogação e as respostas, também se viva em si mesma, que as interiorize e não seja repetida mecanicamente, como uma poesia aprendida de cor.
Não podemos nos abrigar atrás de uma fé pela mediação de uma pessoa, é a mim, como cristão, individualmente, à minha liberdade e à minha fé que Jesus pede hoje: Tu, quem dizes que eu seja? A uma resposta dessas não se pode responder repetindo somente o que diz “o povo” ou aquilo que diz “a Igreja”.

Aqui, chegamos a um ponto importante na nossa reflexão, inicia-se o testemunho, a colocação da nossa experiência. O que Jesus tem feito em minha vida. E cada um colocando a sua experiência, a sua fé, construímos um lindo edifício sempre novo, que é a fé fundamentada nos apóstolos e é vivificado e unido pelo Espírito Santo.

Muito Ágape no seu coração.


Obs: meditação extraída do livro: O Verbo se faz carne. Raniero Cantalamessa. Ed. Ave-Maria.

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